Mais Amor!

Estes dias apareceu no meu facebook uma notícia da página do G1 com a seguinte manchete:

“Família teve de desembarcar do avião. Criança se recusa a pôr cinto, e voo do DF para SP atrasa 45 minutos”.

Resolvi ler a matéria. Se trata de uma família viajando com duas meninas. Uma das meninas, aparentemente de 2 anos, se recusava a colocar o cinto. O final você já sabe, eles foram expulsos do avião.
A matéria em si não me surpreendeu em nada, já os comentários… Os comentários literalmente me tiraram o sono! Quantos pais, mães e crianças perfeitas neste Brasil. Realmente o Brasil só pode ser o país do futuro! Aqui estão alguns dos comentários:

“Se aos 2 anos os pais não tem controle, imagine-se o monstrinho que se tornará quando crescer cheio de vontades e sem qualquer limite.

“Com 14 ta dando tapa na cara neles!”

“Isso se não acabar que nem a Suzane q matou os próprios pais.”

“Se fosse meu filho! Quem come do meu pão apanha do meu cinturão!”

“Uns bons tapa no pai e na mãe que não tem um pingo de moral com uma criança!”

“Um casal de irresponsáveis criando um demônio de 2 anos que já é capaz de trazer transtornos para um monte de gente…”

Poderia ficar o resto do dia copiando e colando aqui os comentários ABSURDOS que li nesta matéria. Incrível como as pessoas estão sempre com o indicador coçando para apontar para alguém. Juízes sem nenhuma clemência, donos da verdade e da razão. E o mais engraçado de tudo, todos com poder de vidência, afinal, este “demônio” (como a criança foi chamada) vai não somente dar tapa na cara dos pais aos 14, mas também tem grandes chances de repetir os passos de Suzane Richthofen e matar os próprios pais. Fico arrasada quando leio este tipo de coisa. Mães ofendendo e atacando outra mãe! Cade o amor? Cade a empatia? Estes comentários são desumanos! Aposto que no Natal toda esta galera publica mensagens a favor do fim das guerras e pedindo mais tolerância aos povos.

Me coloco no lugar desta família. O Cae, meu mais velho, foi um dos bebês mais fáceis que já vi. Nem em um milhão de anos eu consigo imaginar o Cae chorando para colocar um cinto. Se você tem um filho como o Cae, acho difícil que você entenda o que esta família passou. Se eu tivesse só o Cae eu jamais entenderia. Acontece que eu tenho o Dom. Com o Dom, meu filho do meio, a história é bem diferente. O Dom é uma criança, vamos dizer, “enérgica”. Que não consegue ficar quieto nem durante uma música inteira da Galinha Pintadinha. Quando algo não sai bem do jeito que ele espera, ele tem o que eu chamo de “crise existêncial”. Ele chora sem parar por alguns longos minutos e não há absolutamente nada que eu possa fazer. Não adianta tentar distraí-lo com outra coisa, não adianta tentar conversar, cantar, dar comida, muito menos pegar no colo. Se eu encostar nele, ele grita mais ainda. A única coisa que resolve é esperar ele se acalmar sozinho. E ele sempre se acalma. Por um lado acho isto muito bom, pois ele está aprendendo a lidar sozinho com as próprias frustrações e sentimentos. O problema é quando isto acontece da forma que aconteceu com esta família, dentro de um avião. Imagino o desespero destes pais tentando acalmar a menina.

Com o coração apertado espero de verdade que os pais não tenham lido os dois mil novecentos e dezoitos comentários que esta reportagem teve. Espero que eles não tenham brigado com a menina. Uma menina de 2 anos tem todo o direito de ter medo, de ficar assustada, de estar com sono, e até mesmo de estar incomodada com dente molar nascendo. Ela tem o direito de ser uma criança de 2 anos. Dois anos gente, fala sério?! E o que falar para os que afirmaram que isso era “falta de palmada”? Não tenho nada contra palmadas (e nem quero entrar neste mérito agora), mas bater em uma criança de D-O-I-S anos só porque ela não entende o motivo pelo qual ela tem que ficar sentada, presa por um cinto de segurança, dentro de um ambiente totalmente estranho, cercada de pessoas que ela nunca viu na vida? Para estes pais eu só digo uma coisa: MAIS AMOR POR FAVOR! Muito, mas muito, muito mais AMOR! Um rio, um mar, um oceano de amor. É só isso que todos nós precisamos. E termino este post com um recado especial para aqueles que nem filho se quer tem mas que se acharam no direito de palpitar e julgar esta família, para vocês eu só mando um: “Deixe estar jacaré, deixe estar…”

9 comentários sobre “Mais Amor!

  1. Concordo com vc, tenho dois filhos e estou gravida do terceiro, e cada um tem um comportamento diferente. Fico imaginando o que essa família passou por que eu já passei por isso não em um avião mais em outro lugar, e o que temos que fazer nessa hora é ter paciência com eles pois tudo é novidade eles não nasceram treinados pra isso.

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  2. Meu filho Matheus de 8 meses é exatamente assim que nem o seu Dom. Só tenho ele e já imagina né? Trauma de ter outro e ser tão enérgico quanto, kkkkkkkkkkkkkkk. Mas, já me bate uma vontade quando vejo uma família grande e irmãos. Eu tenho o meu e quero muito que o Matheus tenha o seu, família grande e unida é tudo. Vamos vê né? Caso tenha coragem espero que seja tão calmo quanto o seu cae, kkkkkkkkkk. Beijos e bela escrita e belo blog. Sucesso mamãe

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  3. Excelentes argumentos. Super concordo. Tenho um bebe de 1 ano e 1 mês e ele não para pra nadaaaa, nem se quer olha para a tela de um computador ou televisão. Nunca está sentadinho brincando. E energia pura e mamãe morta atrás kkkk tenho trauma tbm de ter outro com medo de passar por toda essa correria novamente!! E como esses pais passaram isso eu já vivi situações semelhantes e sei que vou viver muitas outras pelo gênio forte do meu bebe, quando decidimos ter um filho temos que adotar a paciência como estilo de vida. Ter leveza e essencial, triste em pensar nas pessoas julgando sem ao menos conhecer a situação, sem nenhuma emparia e reclamam do mundo quando elas mesmas não tentam ser melhores.. 😓

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  4. Adorei, tenho a minha Helena de 2 anos, bastante enérgica e com uma personalidade bem forte. Já passei por situações bastante inesperadas e fiquei perdida sem saber como agir. E penso, sempre que ouço as juízas de plantão : ” ela era uma ótima mãe, até ter filho”. A teoria é muito fácil, julgar e apontar e deduzir o que fará em momentos como esses é tão tranquilo, mas sabemos que a prática é completamente diferente. E como você diz: ” Mais amor, por favor. Obrigada pelos textos tão reais e tão honestos, sobre as dores e as delícias da maternidade. 😉

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