Foto com a Mãe.

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Este ai na foto comigo é o Cae.
Como você pode ver, Cae não está livre, nem leve, muito menos solto.
Cae está bravo.
No bom português, Cae tá chato “pá caralho”!
Cae é pré-adolescente.
Cae obviamente não queria tirar esta foto.
Parti para chantagem.
Sim, ocasionalmente, faço mini chantagens com meus filhos (pode me julgar, não ligo).
Conheço os pontos fracos e sabia que a mini chantagem iria funcionar.
Lá fomos nós para a foto.
Tentei descontrair e fazer uma pose de “mãe descolada”.
Aparentemente não colou.
Não colou porque no dicionário dos pré adolescentes não existe mãe descolada.
É como se as palavras mãe e descolada fossem inimigas mortais e jamais pudessem andar juntas.
E para piorar, se você adicionar a palavra “foto”… Dai sim que babou tudo!
Consta no Regimento Mundial dos Pré Adolescentes que tirar foto com a mãe é a coisa mais constrangedora do mundo. Do Universo. Do Sistema Solar. De todas as galáxias.
Vou dar um exemplo meramente ilustrativo. Imagine dois amigos conversando:

“-Nossa você soube do mico federal do fulano? Um passarinho cagou na cabeça dele, ele escorregou, caiu no cocô de cachorro. Quando foi se levantar a calça estava furada e ele estava sem cueca. Ficou com a bunda de fora na frente da escola inteira!
“- Ahhhhhhhh isso não é nada!!! Boatos que o Cae tira foto com a mãe!”

Realmente, ser adolescente é uma merda.
Aliás, ser adolescente é bom pra caramba, as melhores lembranças da minha vida são da minha adolescência. A merda é ter que lidar com adolescente.
A merda é explicar para um adolescente que essa parede azul está super, hiper, mega legal para tirar uma foto.
E que o dia está lindo.
E que a foto também serve como oportunidade para ficarmos juntos, só nós dois. Sem dois bebês disputando a atenção.
E que eu jamais vou me acostumar com a idéia de que temos quase a mesma altura.
E que eu acho um puta de um charme esta sobrancelha franzida.
E que quando olho para este rosto, formando traços definidos, me lembro da pele macia e do cheiro de recém nascido.
E que a voz, meio desafinada e meio grossa, me faz ter saudades das gargalhadas, ainda sem jeito, de quem ainda aprendia a rir.
E que estes braços cruzados, fazendo sinal de insatisfação, há não muito tempo atrás se esticavam para cima pedindo colo.
E que por traz desta cara de bravo, existe o melhor e mais doce irmão mais velho que o Dom e a Zara poderiam ter.
E que eu tenho um orgulho absurdo deste menino, que para mim será sempre meu menino.
E que não se deve ligar para o que os outros pensam.
E que tudo que eu quero é vê-lo feliz.
E que se tudo isto significa pagar mico, te peço desculpas desde já, pois a mamãe ainda vai te fazer passar muita vergonha nesta vida.

 

 

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