Você vai entender.

Ontem foi uma noite especial. Tivemos um encontro para celebrar uma amiga querida que está para ganhar o seu primeiro filho. Como num rito de passagem, compartilhamos experiências e frases de encorajamento. Conversamos sobre a maternidade, e acima de tudo, demonstramos nosso amor por ela e por este bebê que está para chegar.

Cheguei em casa e fiquei pensando. Como descrever para ela, e para qualquer mãe de primeira viagem, as mudanças que a maternidade trazem para nossas vidas? E não estou falando das mudanças simples, como por exemplo, o fato de que você nunca mais vai dormir com a mesma tranquilidade que você dormia antes. Falo das mudanças mais profundas. Daquelas que só conseguimos aprender e entender depois que seguramos um filho nos braços pela primeira vez. E é mais ou menos assim…

Você vai entender esta ferocidade, esta onda de adrenalina, que faz com que mães desafiem a ciência, a física, e a lógica, simplesmente porque naquele momento seu filho está em perigo. Mães que lutam com leões, que se fazem de escudo, que seguram o teto com o próprio corpo,  que enfrentam terremotos e tsunamis.

Você vai entender o desejo de mudar o mundo. De acabar com a guerra. A revolta para com os motoristas que dirigem alcoolizados. A preocupação com o aquecimento global.

Você vai entender o que é sempre achar que você poderia ter se doado mais, e ao mesmo tempo sentir que não há mais nenhum pedaçinho sobrando para dar.  Você vai entender o que é fazer tudo que está ao seu alcance, apenas para todo final de dia se sentir culpada por não ter feito mais.

Você vai entender que Deus conectou o coração de todas as mães do planeta. E qualquer tragédia envolvendo uma criança fará com que você sinta na própria pele, um pouco da dor daquela mãe. E só de imaginar, por um segundo, o desespero de perder um filho, o peito esmaga. E não é força de expressão não. O coração literalmente aperta, uma angustia que você sente no corpo. Algo que só quem é mãe sabe. Afinal, aquele poderia ser o seu filho, o seu bebê. E então como seria? É tentar imaginar o inimaginável.

Você vai entender que toda definição de quem você é, todo o seu “eu”, aquele que você demorou tantos anos para construir, irá se transformar no momento que você assistir o seu filho respirar pela primeira vez. E como num passe de mágica, você é outra pessoa. Seu melhor eu. Você vai entender o que é ter um espaço no coração preenchido, sem que você jamais tivesse percebido que este espaço estava vazio.

Você vai entender que todos os cartões de dia das mães que você escreveu para sua mãe, agradecendo a ela por tudo que ela faz por você, que nada daquilo foi o suficiente. Porque antes de ser mãe, por mais que você tentasse, você jamais conseguiria compreender todo o sacrifício e tudo o que ela já abriu mão por você. O quanto ela chorou ao ver você chorar. O quanto ela sofreu ao ver você sofrer. O verdadeiro significado de” “Dói muito mais em mim do que em você.”

Você vai entender como um sorriso, uma gargalhada, até mesmo uma piscadinha, te dá forças para mover montanhas, abrir mares, e juntar continentes. Você vai ter a certeza da existência de Deus (Allah, Jah, Jeová, ou seja lá qual for a sua crença), pois só um ser infinitamente superior poderia criar uma conexão tão forte como a que existe entre mãe e filho. E no final do ano, quando a globo mostrar o filme da vida de Jesus, a cena de Maria chorando ao ver Jesus crucificado, vai te doer na alma.

Você vai entender a fé. A fé que vem do fundo do coração, que brota no peito quando você implora para que seu filho esteja sempre em proteção. A fé que você sente ao entregar o seu filho nos braços de Deus toda vez que ele sair pela porta de casa. A fé que você tem ao suplicar que qualquer mal atinja você, mas não ele.

E finalmente, você vai entender o amor. O amor na sua real magnitude. O amor que faz tudo valer a pena. O amor que se sente na alma.  O amor que faz parte do seu próprio corpo, e que te acompanha aonde quer que você vá. Este tal de amor incondicional, que tanto falam por aí.

Texto em homenagem a: Michelle, Ety, Lela, e Ana Paula.

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