Gripe Materna e Gripe Paterna

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Estes tempos tivemos uma mini epidemia de virose aqui em San Diego, e praticamente todos do nosso grupo de amigos pegaram. Aqui em casa o primeiro a pegar foi o Cae. Depois a Zara, que teve sintomas bem leves, depois eu e o Dom, e por último o meu marido. O João, meu marido, com virose. Você não imagina o perigo que há nesta combinação de palavras. O João é o tipo de pessoa que a gripe suína está lá na China, ele já começa a sentir os sintomas aqui. Ele ama procurar doença mas odeia tomar remédio. Não toma nem tylenol. O que me irrita porque eu amo tylenol. Mas voltando ao assunto da virose. Passado o surto de virose, o João vira pra mim e fala: “Pois é, mas ninguém aqui ficou tão mal como eu.” Juro que olhei bem pra cara dele (e tenho certeza que o meu queixo deve ter caído) e não sabia se ria ou se chorava.

Sei que o João não é o único. A grande maioria dos homens sofre deste mal. E foi inspirado nesta de que “ninguém ficou tão doente quanto eu” que resolvi escrever o texto de hoje:

A gripe materna x A gripe paterna

Primeiro dia de gripe:

A Mãe: Acorda, sente que a garganta esta arranhando. Levanta, faz um gargarejo. Toca o seu dia normalmente.

O Pai: Acorda. Anuncia que está com a garganta doendo. Corre para olhar a garganta no espelho: “- AAAA”. Anuncia que a garganta esta bem vermelha. Já enxerga até um pouco de pus. A esposa oferece remédio. Ele recusa. Durante o café da manhã faz inúmeros barulhos “coçando” a garganta. Anuncia que realmente está com dor de garganta. Anuncia que é melhor que ele nem chegue perto das crianças: “Para não passar”. Ele vai trabalhar.

Segundo dia:

Mãe: Acorda tossindo. Sente que a garganta está bem irritada. Toma um comprimido de resfenol. Toca o seu dia normalmente.

Pai: Acorda tossindo. Corre para o banheiro para cuspir catarro. Tosse um pouco mais. Tenta cuspir mais catarro. Lá do banheiro ele já diz que está com muita dor de garganta. Corre para espelho olhar a garganta. Anuncia que a garganta está muito vermelha, quase que em carne viva. A esposa oferece um remédio. Ele reluta mas aceita. Pede para comer algo antes de tomar o remédio para proteger o estômago. Durante o café da manhã ele diz que não consegue engolir o pão. Anuncia mais uma vez que está com muita dor de garganta. O filho o chama para brincar. Ele diz que não pode, e anuncia: “Papai está dodói”.

Terceiro dia:

Mãe: Depois de acordar diversas vezes a noite tossindo, levanta. Toma um comprimido de benegripe e um chá de limão com mel. Toca o seu dia normalmente.

Pai: Pede por um termometro. Tira a temperatura e está com 38C. Anuncia que esta com febre. Treme de frio. Implora por um chá. Remédio. Cobertor. Liga para a mãe para contar que está tão mal que até febre tem. Volta do trabalho bem mais cedo pois se sente um lixo. Anuncia que se sente um lixo. A esposa faz uma sopa. Ele come um pouco, sempre fechando os olhos e fazendo expressão de dor depois de engolir cada colherada. Anuncia que está sentindo muitas dores no corpo. Anuncia que não aguenta mais estar doente. O filho chama para brincar, ele anuncia: “Papai está muito dodói e precisa descansar”. Vai gemendo para o quarto. Vira de um lado para o outro da cama. Tosse. Quase vomita. Anuncia que quase vomitou.
Vai dormir gemendo.

Quarto dia:

Mãe: Acorda com a garganta super dolorida. Sente seu pijama molhado. Pensa que provavelmente teve febre a noite. Sente dificuldade para engolir saliva. Pensa em ligar para a diarista para que ela venha hoje, te ajudar com as crianças. Lembra que tem uma reunião com a professora do filho e desiste da idéia da diarista. Toma um naldecon. Toca o seu dia normalmente.

Pai: Acorda anunciando que esta todo soado. Mostra o lençol úmido. Pede para que esposa encoste para que sinta o pijama molado. Encharcado. Pingando. Pergunta se é normal. Anuncia que esta com muita dor no corpo. Anuncia que se sente como se tivesse sido atropelado por um caminhão. Anuncia não estar conseguindo engolir saliva. Tosse. Corre para o banheiro cuspir o catarro. Faz diversos tipos de barulho com a garganta. Anuncia que o catarro esta amarelo esverdeado. Pergunta para a esposa se isto é normal. Toma dois comprimidos de naldecon. Passa o dia de cama. Tosse. Tosse. Tosse. Anuncia que está com dor de cabeça. Finalmente dorme. Acorda no meio da tarde, entediado. Chama a esposa. Tenta uma aproximação sexual. Leva um corte. Volta a reclamar que está muito adoentado.

Quinto dia:

Mãe: Acorda se sentindo bem melhor. Toca o seu dia normalmente.

Pai: Acorda visivelmente melhor. A esposa pergunta se ele está melhor e ele responde que uns 50-60%. Durante o café da manhã tosse um pouco entre uma mordida e outra. A esposa comenta que está feliz porque ele está melhor, e diz que também está se sentindo melhor. Ele faz uma cara de surpreso e pergunta se ela estava doente. Ela responde que estava com gripe. Ele da um beijinho na testa da esposa e diz: – Nossa amor, sorte a sua que você não ficou tão doente como eu fiquei.”

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