Amanhã é outro dia

Hoje foi um dia difícil. Daqueles que você se pega pensando quando e como você se tornou mãe de 3 filhos, esposa, profissional e dona de casa. 

Não me leve a mal, não existe nada neste mundo que eu ame mais do que a minha família, e não trocaria eles por nenhuma outra vida. 

Se você é mãe, você sabe bem como são estes dias difíceis (e se o seu filho tem menos de 6 meses, pode ser que você ainda não tenha sido mãe por tempo o suciciente para entender o que eu estou dizendo). 

Dias onde perigosamente, você ignora a regra número um da maternidade, a de escolher as batalhas que realmente valem a pena. 

Dias onde as menores coisas te esgotam. Desde os hábitos instestinais do marido (que te obriga a ficar sozinha com 3 crianças bem no pior horário de pico da manhã), até o fato de terem deixado o leite para fora da geladeira. 

Dias em que ter que repetir tudo 300x cansa mais do que o normal. 

Dias em que ouvir o seu filho pequeno repetir tudo, 300x também cansa mais do que o normal. E no caso aqui de casa a onda agora é: “Não qué, não qué, não qué…” 

Dias em que você queima o arroz. Em que você vai amamentar em público e lembra que esqueceu de colocar o protetor absorvente no sutiã.

Dias onde você sobe a escada correndo para pegar o carregador do celular, rezando para não acabar a bateria já que você está na ligação com o tele atendimento do plano de saúde há uma hora, quando sente aquela dor inconfundível: Você pisa em um aglomerado de peçinhas de lego. Descalça. 

Dias onde você recebe emails contendo perguntas que te fazem pensar se você realmente pertence a este planeta.

Dias que você lembra que é imensamente abençoada, e que todos os seus problemas são mínimos perto dos problemas de milhares de outras pessoas deste mundo. Mas poxa, só hoje, eu quero reclamar. Reclamar sem ficar com a consciência pesada. Porque hoje está difícil. Prometo que amanhã volto a ser grata por tudo. Mas hoje quero reclamar até das páginas que copiaram meus textos na cara de pau. Copiaram, colaram, publicaram.

Se as pessoas que copiam os textos soubessem a preparação que envolve conseguir um tempo sem criança, sem marido, e sem trabalho…. Tempo para sentar, concentrar, e escrever. Se elas realmente soubessem, elas não só começariam a clicar no compartilhar (ao invés de copiar e colar), mas também viriam aqui em casa me dar um abraço de desculpas.

Mas não. Nesta vida de “maternidade virtual” parece que esquecem que a maternidade também é real. A grande maioria vive em comercial de margarina. Desculpe decepcionar, mas aqui não. Aqui temos crianças que choram e se jogam no chão, uma mãe que é humana e perde a paciência (e depois se culpa por ter perdido a paciência). Aqui temos uma pia onde a louça brota sabe Deus daonde. Aqui temos pré-adolescente rebelde, geladeira que fica com cheiro estranho, e vidros com marcas de pequenos dedinhos. 

Só sei que hoje foi difícil. Mas já está acabando. E amanhã é outro dia. 

Outro dia para mim e para as milhares de outras mães que neste momento estão repetindo 300x a mesma coisa, pisando em peçinhas de lego, empilhando louças na pia, respirando e contando até 10 (20, 50, ou 100). Pensando o quanto é difícil ser mãe e ser mulher. 

Mas agora chega, porque amanhã é outro dia. 

2 comentários sobre “Amanhã é outro dia

  1. Nossa tenho uma filhinha só de 2 meses e sinto exatamente tudo isso,e fico imaginando sua vida com três filhos uma casa e marido pra tomar conta,e apesar disso tmb digo tem dias que realmente é difícil…. Abraço adorei ler suas postagens…

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  2. Olá Rafaela! Estou simplesmente AMANDO ler suas postagens! Ler os seus textos tem me ajudado muito, a me cobrar menos, a levar a maternidade com mais leveza… Pois por muitas e muitas vezes me pegava frustada e triste com muitas situações do cotidiano, onde por mais que eu me esforçasse e dedicasse , algo não saia como eu esperava… Em outras palavras, quando eu não conseguia dar conta de tudo, eu acabava culpando a mim mesma. Obrigada, de coração, por dividir suas experiências, de maneira tão simples e divertida, e ajudar não só a mim, como tantas outras mães! Gostaria de pedir que escrevesse (se e quando possivel) sobre as amizades que somem depois que a gente se torna mãe e sobre as críticas que recebemos por não sair de casa como antes, sabe? Sou mae de uma menina de 1ano e dois meses, que se chama Sara. Obrigada, bjs!!

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