Sobre a onda Glúten Free

Passei os últimos 15 anos tentando trocar a farinha branca por farinha integral. Anos e anos reaprendendo a comer pão e macarrão. Comia pão integral sonhando com pão francês. Até que aprendi. Hoje em dia eu amo o meu pãozinho versão comida de passarinho. Macarrão de farinha branca não entra na minha casa há anos. Já me sentia uma mãe saudável, consciente, sabidona.
Desfilava pelo mercado orgulhosa do meu carrinho cheio de produtos integrais. Passava pelo caixa com a certeza de que a moça que scaneava as minhas compras estava impressionada com a alimentação saudável da minha família.
Todas as manhãs fazia sanduíches naturais para o Cae levar para a escola. A cada sanduíche, sentia um mini orgulho de mim mesma. Até gostava de olhar o Cae mastigar e engolir. Mais uma confirmação de que sou uma mãe dedicada e antenada.
“Tá gostoso filho? Que delícia este pãozinho hein? Hummmmmm!”
Mas…
Tem sempre um mas…
Mas no caminho tinha uma pedra. E a pedra é esta teoria de que glúten causa inflamação. Não somente para quem é celíaco, mas para todo mundo.
Que saco, que saco, que saco, que saco! Que saco sem farinha!
E se você está aí se preparando para escrever um comentário sobre a farinha de coco, a farinha de manjubá, a farinha de seja lá do que, ou sobre as deliciosas receitas de pão glúten free, nem gaste sua saliva.
Ainda estou na fase de negação.
Para mim existe um único pão glúten free que é gostoso. E ele responde pelo nome de “De Queijo”. Pão de queijo.
Poderia até passar o resto dos meus dias comendo pão de queijo no café da manhã. O problema é que ficarei roliça. Uma roliça glúten free.
Agora vamos falar do macarrão.
Temos algumas opções de macarrão glúten free, como por exemplo o macarrão de arroz e o macarrão de quinoa.
Se você já provou, você há de concordar que ambas opções substituem não somente o macarrão de farinha mas também a cola normal e o SuperBonder. Ou seja, caso o seu filho precise de cola para um trabalho da escola, você não precisará mais sair correndo para ir comprar um bastão de cola. Basta ir a dispensa e cozinhar dois fios de spaghetti de arroz. Não é possível que aquilo faça bem a saúde.
Mais uma vez, ainda estou na fase de negação.
Aliás, acho que vou ficar na fase de negação até esta onda passar e mudarem de idéia de novo. Igual fizeram com o ovo, que passou de herói, para vilão, e agora voltou a ser herói.
Não sei como estas modas surgem. Se realmente é ciência, se é marketing, ou se é um pouco de cada. De qualquer forma, queria deixar aqui minha sugestão. Que tal colocar a mesma ênfase e empenho que existe no desenvolvimento de produtos glúten free, na criação de produtos como leite condensado zero calorias (que não cause câncer), queijos zero calorias (que não cause câncer), e finalmente, o vinho zero calorias (que também não cause câncer)?
Genteeeeem, pensem num mundo onde sua nutricionista te entrega uma dieta com uma tabelinha onde queijos, vinhos e leite condensado estão lado a lado com alface, rúcula, e agrião!

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