A presença física

Não consigo escrever. Escrevo e imediatamente apago. É como se nada soasse certo, ou tivesse graça. Todas as últimas grandes manchetes apontam para um mundo que está fora do ar. O massacre em Orlando, o absurdo caso do menino em Manaus, a tragédia com a criança que foi atacada por um crocodilo.
Dias onde nenhuma palavra tem importância e nenhum texto toca o coração.
Hoje, ao ver a gargalhada gostosa do meu filho, me peguei imaginando a dor se aquele fosse o último sorriso que eu estivesse compartilhando com ele. A vida é frágil demais. Em um momento estamos juntos de mãos dadas, mas basta uma fração de segundo para sentirmos os dedos desentrelaçando e escorregando devagar. Eles se distanciam, se distanciam, até que não se tocam mais. Você ainda sente o calor na ponta dos dedos, é como se o toque ainda estivesse ali. Mas por mais que você tente esticar os braços, já não é possível alcançar. É uma linha muito fina que segura a vida.
Abrace seus amores mais forte. Distribua beijos e diga que os ama. Faça cafuné, embale ao som de qualquer canção. Sinta o toque e olhe cada gesto. Grave o sorriso. Troque olhares, escute a voz, cheire os cabelos. Não só os cabelos, cheire cada pedaçinho. Ter a presença física de quem amamos é mais do que uma benção. É o milagre da vida se fazendo presente. É o amor de Deus diante dos nossos olhos, em forma e cor.

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