Ser boa o suficiente.

Sejamos sinceras, tem dias que sair de casa no horário, com as crianças usando meias do mesmo par e calçando algum tipo de sapato já é uma vitória. Dias onde todas as expectativas que você tinha sobre a maternidade vão parar num lugar bem, bem, bem distante, lá onde Judas cortou as unhas (porque as botas ele perdeu quilômetros antes). Estes dias estive pensando, se repetimos diversas vezes para os nossos filhos a importância de ser uma pessoa gentil. Então por que é que não somos um pouco mais gentis com nós mesmas?

O jantar de hoje será o mesmo de ontem? Já é o suficiente.
Você não lava o cabelo há três dias porque prefere horas de sono do que horas no secador? Já é o suficiente.
A única surpresa de dia dos namorados que você conseguiu fazer foi colocar as crianças na cama mais cedo e ligar para uma pizzaria? Já é o suficiente.
O seu carro não visita o lava-car desde Abril mas hoje você finalmente conseguiu tirar todo o lixo de dentro? Já é o suficiente.
Você esqueceu de ir no mercado e o lanche das crianças se resumiu a fatias de queijo com maça? Já é o suficiente.

Colocamos (e deixamos que coloquem) tanta pressão sobre nós, e mesmo assim insistimos em adicionar mais itens a nossa lista de frustrações. Por que chegamos a este ponto? Acredito que parte do problema se deve a chegada das redes sociais, onde 99% da população vive em um mar de rosas, no maravilhoso mundo de marlboro. Comparar esta realidade virtual com a minha vida real, é no mínimo frustrante. Na vida real existem crianças de dois anos como meu Dom, que no momento está chorando porque cortei a maça em duas, e aparentemente maças não podem ser cortadas no meio. Na vida real existem pré adolescentes como o meu Cae, que está de férias e acha que todos os programas que eu sugiro são chatos e monótonos. 

Na vida real existem altos e baixos. Na vida real a felicidade é muito mais um estado de espírito. Momentos, que vem e vão. Há dias onde sento no chão com meus filhos e fazemos mil atividades. Mas há dias que me tranco no banheiro e finjo uma intoxicação alimentar.

Na vida real, a maternidade é um processo de aprendizado, que nunca termina. Eu dou dois passos para frente, e um para trás. E enquanto buscar a melhoria é um objetivo nobre, buscar a perfeição pode ser uma missão tola.

E é por tudo isso que eu já não tento ser perfeita. Quero apenas ser boa o suficiente. Boa o suficiente para os meus filhos, para meu marido, meus amigos, para as pessoas que cruzo nas ruas, e para mim. Sim, para mim. Afinal, por que não?

Todos os textos desta página são de direitos autorais da autora Rafaela Carvalho. A cópia de tais textos é proibida por lei. Fique à vontade para compartilhar mas não copie e cole.

2 comentários sobre “Ser boa o suficiente.

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