A sua aldeia.

 Aqui onde moro existe um dos melhores ditados que já li na vida:

“It takes a village to raise a child”

Traduzindo para o português seria algo como:

“É preciso uma aldeia para criar uma criança”.

O que este ditado quer dizer é que um filho não é criado apenas pela mãe e/ou pelo pai. Existem muitas outras pessoas que querem e precisam participar na criação do seu filho. E são estas pessoas que formam a sua aldeia.

A aldeia é muito mais do que parentes. É uma amiga que segura o seu bebê no colo para que você possa almoçar. É a vizinha que leva o seu filho para passear junto com os filhos dela. É uma homeopata que te ajuda a tratar a rinite do seu mais novo. É a madrinha que enche  bexigas para a festinha de aniversário. É a mãe do coleguinha que reveza com você quem leva e quem busca da natação.

É comum, principalmente no caso das mães de um filho só, não querer pedir ajuda. Quando nasce o primeiro filho temos esta mania boba de querer provar para nós mesmas que damos conta de tudo. Mas depois de bater a cabeça algumas vezes, a gente acaba aprendendo que não vai ganhar nenhum prêmio nobel da paz por não pedir ajuda. E finalmente entendrmos que as pessoas a nossa volta não estão ali  esperando para ver quanto tempo iremos resistir. Pelo contrário. Acredite no que eu digo, as pessoas  a sua volta estão ansiosas para poder fazer parte da sua aldeia. Você só precisa dar o sinal de que está pronta e abrir a porta da frente.

Para que você encontre e forme a sua aldeia você terá que fazer novos amigos, perder alguns, se surpreender com algumas pessoas e se decepcionar com outras. Mas tudo isto vale a pena, sabe por que?

Porque são as pessoas da sua aldeia quem irão aguentar o seu mau-humor depois de inúmeras noites mal dormidas. São elas que irão saber a hora de oferecer um café forte e um abraço reconfortante.

É com as mães da sua aldeia que você vai falar sobre cocô verde, excesso de cocô,  falta de cocô, fraldas, assaduras e pinicos. São elas que vão ouvir você contar que perdeu a paciência, que falou o que não devia,  e que pegou muito pesado. Tudo isto sem te julgar, ou sem pensar menos de você. Afinal, elas também já passaram por isto. 

São as pessoas da sua aldeia que preventivamente irão te dizer que você não deve se sentir culpada por algo que você sabe muito bem que irá se sentir culpada. São elas que chegam trazendo vinho, comida e risos.  São elas que fazem a vida ficar mais leve e os dias mais divertidos.

São as mães da sua aldeia que irão presenciar o seu filho te desafiar e te tirar do sério. E quando você estiver chegando perto do seu limite, são elas que vão te dizer que você não é a única. E que é difícil. E que vai passar. 

Temos a tendência de pensar que todas as mães que vemos por aí conseguem manter a vida sob controle, e que o “fracasso” é somente nosso. E são as mães da sua aldeia, estas  irmãs que você não sabia que tinha,  que  irão te dizer que a vida delas também é um pouco caótica. Que todo mundo se esforça para fazer o melhor dentro das limitações de cada uma, e que ninguém, absolutamente ninguém, tem tudo sob controle. 

É a sua aldeia que irá se fazer presente nos dias difíceis. Mesmo que seja através de uma mensagem de texto que diga exatamente o que você precisa ouvir.

Nós precisamos da nossa aldeia. Eu preciso da minha. Você precisa da sua. Nós todas precisamos uma das outras.

 

 

 

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