A mini crise.

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Quero começar  dizendo que eu amo ser mãe. Não existe nada neste mundo que me deixe mais feliz do que minha família.

Mas eu estaria mentindo se eu dissesse que não tenho as minhas mini crises existenciais.

Pra mim o mais difícil de ser mãe de 3 filhos nos meus 30 e poucos anos não é exatamente o que eu pensava que iria ser.

Não é o choro. Não é a birra. Não é o “eu sei de tudo e sou o dono da razão” de um adolescente. Não é a bagunça constante. Nem mesmo o desconforto de ter que segurar o próprio xixi para lidar com uma mini pessoa que precisa desesperadamente  de ajuda para descascar uma banana,  neste momento, agora, para ontem, já.

Não são as noites em claro. Não são as mudanças no meu corpo. Não são as despesas que só aumentam. Nem mesmo o teste de nervos que é ter um bebê chorando na cadeirinha do carro enquanto você está a 100 km/h em uma freeway. Não é o sentimento de culpa. Nem a obrigação de ter que preparar pelo menos 3 refeições balanceadas todos os dia, 7 dias da semana (incluindo férias, feriados e dias santos).

A minha mini crise dos 30 não foi, não é, e nem será por nada disto. Embora todas estas coisas não sejam fáceis, elas jamais poderão ser consideras as mais difíceis.

Sabe o que para mim é a parte mais difícil? É a certeza de que eu nunca mais me sentirei completamente livre.

Preparem-se para atirar as pedras pois não tenho medo de dizer que tem dias que sinto tanta, mas tanta falta da minha liberdade e do meu tempo sozinha.

Eu sinto falta de poder sair de casa para ir para qualquer lugar sem ter que me preocupar que horas irei voltar.

Eu sinto falta de conversar por horas com minhas amigas sem precisar parar para fazer o jantar ou para acalmar um menino que berra como se alguém estivesse o enforcando pois o adesivo que ele ganhou no dentista insiste em não ficar no lugar que ele deseja.

Eu sinto falta de não ter planos e de poder deixar a vida me levar para onde ela bem quiser.

Eu sinto falta das inúmeras possibilidades de uma sexta-feira a noite, ou melhor, de um feriado prolongado.

Eu sinto falta até de coisas imbecis como ficar gripada de cama com a cabeça vazia. Ou de poder me me dopar para dormir no avião. Ou de tomar banho que não seja assombrado por choros imagináveis.

Eu sinto falta de perder a noção do tempo, seja numa pista de dança ou em uma manhã de Sol na areia da praia.

Eu sinto falta de não ter medo da morte, das viagens de última hora, dos dias de pijama, pipoca e eu mesma. Eu sinto falta de não ter nada em mente, apenas o momento.

Eu sinto falta de fazer o que eu quero, sem ter que me preocupar se as minhas atitudes irão refletir nas pessoinhas que mais amo neste mundo.

A minha família, de uma forma ou de outra, está sempre presente nos meus pensamentos. E mesmo que indiretamente, são eles que moldam as minhas decisões. É pensando neles que decido onde morar, onde trabalhar, para onde ir, e o que fazer. É estranho admitir mas não sou dona do meu destino. E mesmo que eu dite a última palavra, o bem estar da minha família será para sempre a minha balança, influenciando quase todas as minhas decisões.

Esta minha mini crise é perceber que eu nunca mais conseguirei sair pelo mundo sem sentir esta força maior que me puxa de volta para minha família. Como se existisse um cordão umbilical que não foi e jamais será cortado. Algo que me enche de alegria mas que ainda assim me traz um estranho sentimento de perda.

Estou no processo de me acostumar com a idéia de que para ter a família que sempre sonhei, existe um preço. E de maneira nenhuma estou reclamando deste preço. Estou apenas no processo de aceitação e de entendimento. Estou percebendo como as minhas asas foram cortadas no momento em que o meu coração se expandia. E enquanto a minha família é a melhor coisa que já me aconteceu, a falta de liberdade que um amor como este implica, é sem dúvida nenhuma a parte mais difícil dos meus trinta e poucos anos.

4 comentários sobre “A mini crise.

  1. Tirou as palavras da minha cabeça!! Tenho um filho de 10 anos e uma filha de um mês. Quando comecei a redescontos minha ” possível” liberdade descobri que estava grávida novamente… agora estou aqui imaginando quando vou conseguir ser eu novamente! Obrigada pelos seus textos Rafa! Sinto como se fosse eu falando comigo mesma!! Bjs

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  2. aiiii Rafa! Você sendo tão nós Tenho um menino de 2 anos e 9 meses, e tenho apenas 22 anos. Quando ia iniciar a minha vida, realizar todos os meus sonhos e planos ele veio !!! MAS VEIO PARA CURTIR E REALIZAR JUNTO COMIGO TODOS ESSES MESMOS SONHOS E PLANOS !!! NUNCA DEIXEI DE SONHAR, SÓ TENHO ALGUÉM AGORA PARA ME MOTIVAR A SONHAR MAIS !!!

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