Ainda sobre a liberdade…

Ainda sobre o último texto…

… E embora eu irei para sempre carregar esse pequeno luto da minha liberdade que se foi, eu passo a encontrar uma nova forma de liberdade. Um sentimento um pouco diferente, tão grande que até transborda do peito, algo que sinto toda vez que tento enxergar a vida pelos olhos dos meus filhos.

Este sentimento de liberdade que sinto quando os cabelos ondulados da minha menina balançam com o vento. Ou a liberdade que extravasa quando o meu mais velho corre comemorando seu gol em pleno final de campeonato. A liberdade que vem ao sons de “uhuuu” quando o meu menino dispara no seu patinete. A liberdade que mora na gargalhada despreocupada da minha bebê rolando na grama. E na criançada batendo palmas enquanto eu tiro os pães de queijo do forno. A minha liberdade agora mora no brilho dos olhos curiosos dos meus pequenos enquanto eu conto uma história sem pé nem cabeça. Eu vivo a liberdade através do meu menino e seu bumbum branco correndo pela praia num fim de tarde de verão. E na minha bebê comendo ameixa só de fralda. E até mesmo na minha dançinha de comemoração quando finalmente coloco as crianças para dormir.

Existe liberdade no sorriso sem jeito do meu adolescente quando a minha resposta para a sua pergunta é um SIM. Também vejo a liberdade no meu oásis das dez e meia (se você não entendeu esta última, procure por aqui o texto sobre o oásis das dez e meia). Eu encontro a liberdade no meu coração de mãe, que hoje em dia tem muito mais amor, solidariedade, e compaixão do que eu jamais pensei que pudesse ter. Será que existe liberdade mais bonita? Ver a sua alma crescer tanto ao ponto de te afastar de alguns sentimentos que só fazem mal? Existe liberdade maior do que ser capaz de se colocar no lugar de outra mãe? Seja por um momento de grande alegria ou de imensa tristeza.

A minha liberdade está até no meu amor. Afinal, quer liberdade maior do que estar feliz pelo bem estar de outro ser? Se sentir livre por ter um pedaço seu, a continuação do seu coração, batendo fora do corpo? Sem falar na liberdade daquele momento único, que para mim é como um encontro com Deus, quando você segura o seu bebê pela primeira vez. O cheiro, a pele macia, os olhos inseguros. Naquele segundo o mundo fica pequeno. Você é capaz de tudo. É a liberdade ganhando forma. Não há liberdade melhor do que a certeza de que a vida é muito, muito, muito maior. E de que Deus existe. Teria algo mais libertador do que sentir na alma a certeza da existência de um ser maior, misericordioso e de puro amor?

Existem várias formas de liberdade, e mesmo sentindo falta de algumas, venho as poucos encontrando outras maneiras de me sentir livre. E por ironia do destino, estou descobrindo que a minha nova liberdade mora justamente naquilo que mais me aprisiona, e que ao mesmo tempo mais me liberta: A maternidade.

Um comentário sobre “Ainda sobre a liberdade…

  1. Rafaela, preciso dizer: em cada um dos seus posts, sinto como se alguém estivesse lendo todos os meus pensamentos e sentimentos, e traduzindo-os em textos. Às vezes até melhor do que eu! Em muitas ocasiões, só quando vejo seus textos consigo parar pra perceber o quanto aquilo ali reflete o que eu sinto diariamente nessa aventura de ser mãe. Parabéns! Excelente blog!

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