Perspectiva

06:30 de Domingo: Dom, como todos os outros dias, acordou e começou a gritar do berço. Entro no quarto quase implorando para ele falar baixo. Zara acorda. Ignoro os resmungos de Zara com esperança que ela volte a dormir.
Desço as escadas com o Dom no colo e já corro preparar o mama.
Ele grita porque o microondas estava demorando demais. Aparentemente 30 segundos é uma eternidade. Depois do mama vieram os gritos porque a bolinha amarela estava presa embaixo do sofá. E porque a cachorra esbarrou nele. E porque ele não conseguia colocar o capacete sozinho. E porque ele queria banana. E porque ele lembrou que tem um dodói no joelho.

Levo o Dom para o quintal. Ele grita me informando que vai no balanço.
Recebo uma mensagem do marido (que ainda estava deitado no quarto) dizendo que é muito barulho para este horário, que os vizinhos iriam reclamar.
Peço para o Dom entrar. Ele se recusa. Mais gritos.

Consigo escutar Zara resmungando do quarto. Dom resolve que é um excelente momento para ir regar as plantinhas (leia: fazer xixi no jardim). Dom esquece que para “regar as plantinhas” ele precisa abaixar a cueca. Dom encharca a cueca.

Finalmente me preparo para dar o primeiro gole de café. Dom avisa que precisa fazer o número 2. Largo o café e corremos para o banheiro. A cachorra vai atrás. Por motivos que nem Freud explica, a presença da cachorra irritou a criança. Mais gritos. Dom da tchau tchau para o cocô, aperta a descarga, e comemora como? Gritando.

Sento para tomar o primeiro gole de café. Dom vem correndo pedindo colo.
Minha irritação já está a flor do pele. Ignoro o pedido de colo, e tomo meu café. Ele não desiste assim tão fácil. Mais gritos.

Pego o celular e vejo um recado de uma seguidora. Ela conta que perdeu um bebê com 32 semanas de gestação. Trinta e duas semanas. Meu coração para por um minutos. Olho para o meu filho que ainda pede colo.

Lá estava eu. Irritada antes das 7 da manhã. E lá estava outra mãe, lidando com a dor da perda.

Perspectiva.

Como manter esta perspectiva viva dentro do coração, mesmo quando estamos lidando com momentos de irritação? Como lembrar de sermos gratos no meio do que parece ser um teste de paciência? Como manter o equilíbrio entre a minha necessidade de extravasar as frustrações, enquanto mantenho a luz da gratidão acesa dentro de mim?

Não importa o que eu diga, ou o que você me fale, há dias em que tudo parece ser uma provação. Momentos em que a palavra gratidão é a última coisa que temos em mente.

Uma vez li um livro de meditação que dizia que devemos pensar em uma coisa boa que estamos vivendo. Não em 30, nem em 3, apenas uma. Focar e concentrar em UMA benção que naquele momento complete o seu coração.

O recado da leitora, no meio do caos da minha manhã de Domingo, me fez lembrar de que estar ao lado das pessoas que amo é uma benção. Esta é a minha benção.

E por isto, eu sou grata.

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