Os Mini Perus da Mãe do Fulaninho.

Novembro de 2012, véspera de feriado de ação de graças. Vou buscar o Cae na escola. Entro com o carro na fila e já consigo ver o Cae e seus coleguinhas. Cada um deles tem algo nas mãos. Imagino que deva ser algo interessante pois eles parecem estar hipnotizados, cada uma olhando para sua mãozinha. Cae entra no carro todo animado e me mostra:
É um mini peru.
Calma, não é o tipo de peru que você está pensando. É um mini peru confeitado, com pasta americana, balinhas, e chocolate. Sentado em cima de uma bolacha óreo.
Cae me explica que a mãe do fulaninho (vou manter o nome do menino em anonimato) fez os mini perus e mandou para todos os coleguinhas da sala.
Choquei.
A mãe do fulaninho tem 7 filhos. Sete. Mais do que meia dúzia. Mais do que meio time de futebol. Mais do que um time de vôlei. O número de gols que tomamos da Alemanha. O número de vidas de um gato. Quase todos os dedos das mãos. Gente, 7 é coisa pra caramba. Acho lindo família grande e não estou criticando a mãe do Fulaninho. O meu ponto nesta história é que dos 7 filhos dela, 5 estão em idade escolar. E ela confeitou mini perus para todos os coleguinhas destes 5 filhos.
Não pude conter meu espanto. Peguei o mini peru da mão do Cae e examinei cuidadosamente. Sim, era feito em casa.
Caraca me senti um lixo. Na época eu só tinha o Cae de filho. Eu mal conseguia me organizar para mandar pratos descartáveis quando a professora pedia, quem dirá fazer mini perus confeitados. Coitado do meu filho. Passando vergonha pelo desleixo de sua mãe. Mas isso não ficaria assim.

Um mês depois…

Última semana de aula antes do Natal, era a minha chance de provar para o Cae que eu era uma mãe talentosa. Fiz aquilo que qualquer mãe em busca de inspiração faria: Fui para o Pinterest. Maldito Pinterest.
O Pinterest deveria ser proibido. Lá a expectativa jamais chega perto da realidade. É igual comprar shampoo Pantene e achar que vai ficar com o cabelo da Gisele. Comprar conjunto da Vitória Secrets achando que vai ficar uma angel. Levar foto de revista para a cabeleireira cortar igual. Só frustração.
Mas voltando para a minha busca… Eu sabia que não adiantava escolher algo que exigisse muito trabalho manual. Minha coordenação motora fina é um fracasso. Me tome a tabela periódica mas não me peça para desenhar um cachorro.

Depois de muita pesquisa, achei algo que poderia ser feito mesmo com o meu limitado dote artístico. Bonecos de neve no palito.
Eu usaria brigadeiro para fazer a cabeça, marshmallow para o corpo, mini MMs seriam os botões da roupa, bolinhas de chocolate para os olhos, balas de minhoca fariam cachecóis, tudo isto em um espeto de madeira.
Parece muito fácil mas não se deixe enganar, todo o processo demorou umas 2 horas. Cada 2 bolinhas de brigadeiro que eu enrolava, uma eu comia. Os MMs não grudavam no marshmallow. E o cachecol de minhoca não parava no lugar. Até pensei em desistir, mas dai imaginei a mãe do fulaninho confeitando com 7 filhos na barra da saia. Ganhei forças e cresci no jogo. Consegui! Lá estavam 25 bonecos de neve. Tirei foto e postei. O mundo precisava saber desta minha conquista. Na legenda coloquei algo bem corriqueiro, como se fizesse aquilo todos os dias: “Lembrançinhas de natal para a turma do Cae”. Que excelente mãe eu era.

No dia seguinte fui buscar o Cae na escola. De longe vi as crianças felizes e contentes. Vitória!
Só um detalhe que obviamente o Pinterest esqueceu de avisar. O peso da cabeça de brigadeiro fez com que todo o corpo do boneco descesse no palito. Ou seja, o palito atravessava a cabeça dos bonecos, que estavam praticamente assassinados nas mãos de cada criança. Mas isto é detalhe. A operação boneco de neve havia sido um sucesso.

No ano seguinte me senti na obrigação de repetir o feito.
No outro ano eu estava com o Dom bebê e com uma preguiça fenomenal de fazer qualquer coisa. Fiquei horas ensaiando como daria a notícia para o Cae, de que sua mãe desnaturada não faria os bonecos naquele ano.
Cae nem ligou. Nem tchum.

Incrível como a gente se preocupa e coloca nossa energia em coisas que não têm a importância ou o peso que a gente espera. Se você tem disposição para fazer projetos artesanais para o seu filho, poxa que legal, vá em frente e faça mesmo. Mas se você não tem tempo, não tem o dom, não tem grana, ou simplesmente não tem saco, it’s fine. Seu filho não vai ser menos feliz e não vai crescer traumatizado.

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