Ipad e Tablets

Li uma reportagem sobre o efeito de iPads (e tablets em geral) em crianças. Lá dizia que pesquisas demonstram que iPads causam no cérebro um efeito muito similar ao de drogas como a heroína e a cocaína. Fiquei super intrigada e fui procurar as pesquisas originais. É simplesmente assustador. As áreas do cérebro que são ativadas, as conexões, os hormônios que são liberados, tudo muito similar a cocaína. Por isto as crianças ficam tão agitadas e até agressivas quando um adulto pede para que desliguem o aparelho. É tirar droga da mão de usuário. Mas o problema vai muito além. Há estudos que apontam que crianças expostas diariamente a tablets têm mais dificuldade em ler emoções nos rostos de outras pessoas, dificultando as interações sociais. Há até um estudo na Austrália que dá indícios de que o desenvolvimento muscular e ósseo de crianças de 3 e 4 anos com acesso diário a tablets é diferente do de crianças que brincam apenas com brinquedos. São inúmeros os estudos e a lista de malefícios só cresce.

Mais assustador do que o resultado das pesquisas é pensar que crianças com menos de 3 anos estão sendo expostas diariamente a este tipo de eletrônico. Concordo que estes aparelhos fazem parte da realidade e do futuro e que não podemos fugir da tecnologia. Mas será que o primeiro contato com estes eletrônicos não está sendo cedo demais? Ou pior, será que isto não está sendo incentivando dentro de casa, muito antes do que se deveria?
Aqui onde eu moro é uma região super geração saúde, diferente de outras áreas dos Estados Unidos. Dizem que a California está sempre alguns anos à frente, e é a mais pura verdade. Aqui dificilmente eu vejo uma criança de 3 anos com um tablet.

Acho que um problema grande que existe no Brasil, é a questão da cultura e a noção de status. Em outras palavras, é legal dar um tablet para o filho de 3 anos. É visto com bons olhos pela sociedade, é sinônimo de “boa” posição social, e é comum. Todos os coleguinhas tem. Por que o seu filho não vai ter? Aliás, se todos têm, aí sim que o seu filho TEM que ter. Eu vivi isto há 13 anos atrás quando o Cae era pequeno e eu morava no Brasil.
Queria que o Cae tivesse tudo que era legal, tudo que supostamente fosse deixá-lo feliz. Afinal, que mãe não quer dar tudo que há de melhor para o filho? E no Brasil, esta questão de TER o que é da moda é cultural. E a gente acha normal. É muito difícil pensar diferente quando estamos cercadas de pessoas que pensam da mesma forma. Eu fazia tudo que achava que era melhor para o meu filho. Meu filho tinha que TER o que era “bacana”. E honestamente, eu nem questionava se aqueles itens eram realmente algo bom para o meu filho. Afinal, se todos tinham, é porque deveria ser bom. Uma mensagem quase que inconsciente. A gente faz as coisas no embalo do que acontece ao nosso redor. Naquela época não existia iPad mas tenho certeza de que se existisse, eu teria comprado de presente de aniversário de 2 anos.

Mas eu me mudei, e mudei. Vim para um lugar onde a maioria das crianças de 5 anos não sabe a diferença entre um tênis da Nike, um da Adidas, e um da feirinha da esquina (lembrando que estou em uma região da Califórnia um pouco diferente do restante dos Estados Unidos). E aprendi a apreciar uma cultura onde vida simples é considerado legal. Aqui, estranho seria se eu desse um tablet para o meu filho de 2. Consigo imaginar a reação das pessoas do meu convívio, me perguntando por que ralhos eu resolvi dar este tipo de eletrônico tão cedo para meu filho? Aqui as pessoas estão fugindo daquilo que no Brasil é desejado.
É incrível a força que o meio em que vivemos, as pessoas, e a cultura têm nas nossas vidas.
E quando leio pesquisas como as que li hoje, penso que este tipo de informação deveria ser divulgada no Brasil. Porque nós mães, somos as únicas pessoas capazes de quebrar esta noção distorcida de que tablets são brinquedos educativos para crianças de 2-3 anos. Pois não são. A cultura pode até levar a acreditar que são, que é legal, e que é normal, mas dezenas de pesquisas provam o contrário. A verdade é que quando o assunto é criança pequena, tablet não é babá, não é professora, não é diversão, e não é sinônimo de status. Tablet para criança muito pequena é droga. E isto não sou eu quem está falando.

Informação é poder.

Um comentário sobre “Ipad e Tablets

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