A mijada

Já tem umas boas semanas que o Dom está super bem sem fralda. O treinamento foi mais fácil do que eu esperava. Mas ocasionalmente acontecem alguns acidentes. E claro, que nosso querido amigo Murphy, faz questão de que estes pequenos acidentes aconteçam nos piores lugares, nas piores circunstâncias, nos momentos em que você menos espera, e na frente do maior número de pessoas. Tenho algumas histórias boas para contar e hoje o texto será sobre uma delas.

Há umas duas semanas atrás fomos acampar em um parque nacional chamado Zion. Os parques nacionais aqui possuem uma estrutura de cinema, tipo Disneyland versão natureza. Cada parque tem um sistema próprio de ônibus (obinus segundo o Dom) que levam até às atrações e cenários mais visitados. 

E lá fomos nós, com nossa turma de amigos que tem mais crianças do que adultos, pegar o ônibus que nos levaria até o local da nossa primeira caminhada.
Eu, já com o ergobaby preso no corpo (por causa da Zara), sento na janela com o Dom no meu colo. Meu marido senta ao meu lado com a Zara no colo, e Cae senta no banco de trás (no fundo acho que ele prefere fingir que não nos conhece).

O plano é descer no último ponto, portanto o passeio no ônibus será de meia hora. Durante o percurso estamos todos admirando a paisagem que é literalmente de tirar o fôlego. Olho pela janela, e em pensamento agradeço a Deus. Em lugares como o Zion, você mais do que nunca, sente a presença Dele. É uma imensidão, uma beleza tão surreal, que ilumina a alma. E aquele sentimento foi tomando conta de mim. Aquecendo o meu coração, e descendo pelo meu corpo. E foi esquentando as minhas pernas… Opa? Minhas pernas? Que tal calorzinho é este no meu colo?

PU*^ que pariu Dom, você fez xixi cara? Você só pode estar brincando comigo!
E não estamos falando de qualquer xixizinho. É uma mijada completa, daquelas que acontecem de manhã. Parte da minha blusa está molhada. O ergobaby cujo qual Zara ficará o dia todo, está ensopado. Minha calça daria para torcer. E o pior… Sinto minha calçinha molhada.
Pô maternidade será que posso manter algum tipo de pudor e individualidade? Já tive minha vagina e anus expostos para o meu sogro quando meu marido mostrou em slideshow as fotos do nascimento da Zara. Já paguei peitinho inúmeras vezes quando meus bebês resolveram fazer do meu peito um brinquedinho elástico. Já tive que fazer perguntas para o meu ginecologista que nem em um milhão de anos eu sonhei que faria. E agora estou aqui com minha calçinha úmida de um xixi que nem meu é? 
Ainda com o ônibus em movimento, tiro toda a roupa do Dom e troco por uma reserva. Enquanto isto eu continuo com meu corpo em um rio de urina.
Chegamos ao ponto final. Nossa turma, com mais crianças do que adultos, desce e todos tentam se recompor. É mãe trocando fralda de filho, é criança pedindo comida, é pai segurando criança que quer sair correndo, é mãe amamentando. Aquela cena perfeita para propaganda de anticoncepcional.

Meu marido cuida das crianças para que eu possa me “ajeitar”. Obviamente eu não trouxe uma roupa reserva pra mim. Aliás, nem passou pela minha cabeça que eu iria precisar de uma, pelo simples motivo que eu não me mijo nas calças há mais de 30 anos. 

Tiro o ergobaby, separo toda a roupa mijada do Dom, e coloco tudo em cima de um murinho no Sol.
Corro para o banheiro e fico pensando o que farei com as minha “partes” cobertas com urina alheia. Me limpo da forma que consigo e corro para o Sol. Sento ao lado das roupas estendidas, faço uma linda “pose de yoga”, e fico lá sentadinha com as pernocas abertas. O marido de uma amiga minha, muito figura, grita de longe:
“- E ai Rafa, tomando um Solzinho?”
Só respondo:
“- Não, não. To secando a perereca mesmo.”
E lá fico eu, torcendo para que o resto do pessoal se enrole bastante, para dar tempo de secar minhas “partes” antes de começar a caminhada.
Mas a maternidade é assim mesmo. Altos e baixos, mijos, ranhos, e côcos. Sim, poderia ser pior. Eu poderia estar coberta em fezes! Preciso é agradecer que foi só xixi.
Prendo o ergobaby, e carinhosamente coloco a Zara, aconchegada no mijo do seu querido irmão. E felizes  e contentes vamos fazer nossa caminhada.
Mais uma vez eu penso: A vida é boa demais!

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