Sobre voltar ou não a trabalhar

Dor na consciência não vem das circunstâncias da vida, não vem das conseqüências dos nossos atos, e muito menos da opinião dos outros. Sabe da onde vem o sentimento de culpa? Esta falsa noção de que poderíamos estar fazendo melhor? Ela vem de nós mesmas, e da mania boba que temos em criar imagens de como deveria ser, ao invés de celebrarmos o incrível trabalho que estamos fazendo.
Minha mãe sempre trabalhou, não por necessidade, mas por escolha. Era algo que a fazia feliz. Nunca, nem por um instante, pensei que poderia ser diferente. Minha adoração por ela nunca dependeu do número de horas que ela passava em casa. Mas sim da qualidade dos nossos momentos. Da sinceridade no sorriso, da emoção nas palavras, do carinho nas entrelinhas, da constante preocupação com o meu bem estar, da capacidade de participar de todos os meus momentos, mesmo quando ela não estava lá fisicamente. E acima de tudo, por me fazer sentir tão amada. 

Amor de mãe e filho se faz presente, nunca dependeu do tic-tac do relógio. Amor de mãe e filho fica na roupa, no ar, no pensamento, no coração.

Minha mãe partiu há 12 anos, e até hoje sinto o seu amor. E se pudesse redesenhar a nossa história, não tiraria nem mesmo um minuto da sua vida profissional. Porque aquilo fazia parte de quem ela era. Fez parte da nossa história, que foi linda, única, e só nossa.

Famílias diferentes, realidades diferentes. Nossos filhos nos dão de graça, ensinamentos que muitos pagam caro para receber. Eles nos aceitam do jeitinho que somos. Se pudéssemos nos enxergar com os olhos deles, quanto respeito, admiração, e amor próprio teríamos. Como seriamos gentis com nós mesmas.

Aceite sua decisão. Viva em paz com ela. Seja ela feita por necessidade, por opção, ou por uma combinação dos dois. Faça da sua realidade a mais bonita e a mais feliz que você possa ter. E saiba de uma coisa: Se todos os dias, todas as mães do mundo formassem uma fila, e seu filho pudesse escolher só uma, uma única mamãe, sabe o que iria acontecer? Ele te encontraria com aqueles olhinhos doces, abriria um sorriso, e iria correndo de braçinhos abertos até você. Ele escolheria você. Hoje e todos os dias.

2 comentários sobre “Sobre voltar ou não a trabalhar

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