Desmame – quando chega a hora

Há um tempo atrás saiu na capa da revista TIMES a foto de uma mãe amamentando o filho de 5 anos, com a manchete: “Are you mom enough”? (Você é mãe o suficiente?).
Entendo o ponto que a TIMES quis tocar. Diante de tantos pré-conceitos em relação a amamentação prolongada, é sempre válido estes “tratamentos de choque” para abrir a cabeça da sociedade.
Por outro lado, acho que esta questão de ser mãe o suficiente é bem relativa. É preciso ser mãe o suficiente para amamentar até os 5, mas também é preciso ser mãe o suficiente para desmamar quando chega a hora, principalmente quando esta hora é mais cedo do que você planejava.
Eu tive que ser mãe o suficiente para desmamar meus filhos na hora que precisei.
Na hora que precisamos.
Na nossa hora.
Tive que ser mãe o suficiente para brigar com minhas próprias expectativas e com esta mania boba que nós temos de criar na nossa cabeça uma imagem de como as coisas deveriam ser.
Tive que ser mãe o suficiente para ouvir o meu coração, e optar pelo desmame, mesmo conhecendo todos os benefícios da amamentação prolongada.

A recomendação da ONU é amamentar até os 2 anos, e da Academia Americana de Pediatria até um ano. Um, dois, ou 10, desde que esta decisão seja feita com coerência, com informação, levando em consideração as características e necessidades únicas da sua família, quem decide quanto tempo vai amamentar é você.

Amamentei meus três, e sou eternamente grata por isto. Com a Zara o plano era amamentar pelo menos até um ano. Amamentei exclusivamente por quase 9 meses, até que nossa jornada do peito teve que chegar ao fim. As vezes me pergunto se poderia ter feito melhor. Aquele habitual sentimento de dúvida que vem acompanhado da sensação de que poderia ter sido diferente. No fundo sei bem a resposta. O desmame, visando o bem estar da minha família como um todo, foi a minha melhor opção naquele momento.

Meu relacionamento com a minha filha não mudou. E por mais maravilhoso que seja o vínculo da amamentação, ele jamais determinará o vínculo mãe e filho.
Claro que senti saudades. Diversas foram as vezes que uma pontinha de tristeza chegou no meu coração. Momentos em que eu lembrava daquele aconchego que era todo nosso. Mas a maternidade é dinâmica, e juntas, eu e ela encontramos novos aconchegos. Inventamos e reinventamos nossa conexão diariamente, seja através de uma nova canção, de um cafuné perto da nuca, um carinho nas mãos, e até mesmo no encontro de olhares.

O empoderamento que a gente tanto fala, e tanto procura, é justamente isto. Falar abertamente das bifurcações que encontramos pelo caminho. E das diversas vezes que precisamos parar, pensar, e recalcular o trajeto.

Mas lembre-se: Eu sou mãe o suficiente, você é mãe o suficiente, nós somos mães o suficiente.

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