Felicidade é a gente quem faz

Meu primeiro casamento foi uma festa linda. Manhã de Sol, mulheres de chapéus, decoração impecável. Festa de revista. E realmente saiu em revista. Aquela cujo nome é uma outra palavra para “faces”.

Adiantando o tempo. Me divorciei, conheci o João, fui morar em San Diego.

Abril de 2011, já morávamos juntos há 3 anos. Depois de ficar igual aquela foto da caveirinha sentada no banco da praça esperando, um belo dia nevou, e o João finalmente me pediu em casamento.

Óbvio que eu estava ansiosa, não só porque o amava mas também porque não aguentava mais estudar para manter o visto.

Ligamos no cartório, marcamos para a semana seguinte. Eu descolei um vestido online de última hora. Quando o vestido chegou achei que era pegadinha. Totalmente diferente da foto e do meu estilo.

Meu marido foi no barbeiro que acidentalmente passou a máquina zero ao invés da 4. Ou seja, ele ficou com a careca lustrada.

Na hora da cerimonia me deu uma crise de riso. Não estou falando de risadinhas bobas. Estou falando de completa, escandalosa crise-de-riso. Lágrimas rolavam pelos meus olhos. Eu me retorcia tentando me concentrar. O João apertava a minha mão e me olhava sério, implorando para eu me recompor.

Quanto mais a juíza me pedia para repetir as palavras, mais eu ria. E depois de muita concentração e de levar muitos apertões, a cerimonia terminou.

Hora de jogar o bouquet. Mas que bouquet? Eu lá lembrei de bouquet! Alguém descolou uma única unidade de rosa. No estilo abajur cor de carne.

Acabou. Mas e agora? Não podíamos simplesmente ir pra casa. Afinal, não é todo dia que se casa! Eis que fomos para o lugar que todo brasileiro que mora fora AMA: CHURRASCARIA.

Minha festa de casamento foi em um local comercial que carrega o nome de Rei do Gado.

Pensa bem? De foto na revista “faces” para o Rei do Gado.

Todos comeram fazendo valer cada dólar dos $18.50 da promoção do almoço.

Fomos para a casa dormir. Não havia a menor condição de acontecer alguma coisa com picanha saindo pelas orelhas.

Vestido estranho, marido com careca brilhante, crise de riso, mono rosa, rei do gado, azia.

Nunca fui tão feliz em toda a minha vida.

Felicidade é a gente quem faz.

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