As batalhas do amor próprio 

A vida toda eu tenho lidado com problemas de auto imagem. Eu, e a maioria das mulheres que conheço.Meu amor próprio é condicional.

Afinal, existem séries para endurecer o bumbum em 30 dias, e dietas para afinar a silhueta em 10. 
Existem 32 maneiras de fazer abdominais com um saco de arroz e um cabo de vassoura, e 14 cremes caseiros para acabar com a celulite.
Existem 10 técnicas para ficar sem barriga, e 9 receitas light usando apenas 3 ingredientes.

E no meio disso tudo existem nós. Mulheres. De carne, osso, e provavelmente 2kg que queremos perder. 
Existe uma indústria que repete no nosso ouvido que jamais seremos o suficiente.

Não me leve a mal, é claro que é preciso se cuidar. Viver largada não é amor. 
Se exercitar, cuidar da aparência, assim como cuidar da saúde mental e da alma, é cuidar de si.
O que não vale é colocar isso como impedimento, como condição.

“Quando eu emagrecer eu serei feliz”.

“Quando minhas celulites sumirem eu entro no mar com meu filho.”

O que a indústria da beleza falha feio não é só neste padrão quase impossível de se atingir, mas também na mensagem de que não há felicidade no caminho. Onde a falta de resultados imediatos gera falta de alegria.
E é quando mais precisamos do nosso amor.

Se amar mesmo depois de afundar o pé na jaca no quarto dia da dieta. 
Se amar mesmo quando os resultados do tratamento não aparecem na velocidade esperada.
Se amar no carnaval, ano novo, e em dia santo.
Se amar vestindo 36, 40, 48.
Se amar na manicure, em casa, no consultório da nutricionista.
Se amar sem condições. Se sentir bem nos próprios sapatos. Sapatos que só servem nos seus pés. Não há ninguém que conheça o peso dos seus passos. 

Cada corpo conta um história de transformação, dor, e amor que só você conhece.
Coisas que as revistas não publicam. Lutas que enfrentamos em silêncio, de dentro das nossas casas, quando choramos em baixo do edredom.
A imagem que reflete no espelho nem sempre mostra a bagagem que a gente carrega lá dentro. 
É aonde reside o amor próprio. No poder em enxergar o todo, ao invés de olhar apenas para aquilo que nos programaram para ver. 
Se amar. Algo simples, que será para sempre a minha (e provavelmente a sua) batalha.

Autora: @a.maternidade (Instagram) – Rafaela Carvalho

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