Desmame – um guia prático

Para quem não leu o texto sobre o desmame da Zara, por favor leia antes de começar esta nova leitura. A amamentação é sem dúvida a melhor nutrição para o bebê. Não há nada superior ao leite materno, ponto final. A possibilidade de amamentar é mais do que uma benção, é a prova viva da perfeição de Deus.
Mas como tudo na maternidade, nem sempre as coisas saem da forma que a gente gostaria, e há ocasiões em que o desmame passa ser a melhor (as vezes única) opção para uma família como um todo.

Não existe jeito certo ou errado de realizar o desmame. Cada caso é único, e o que funcionou muito bem com uma criança, pode falhar miseravelmente com outra. Fiz este guia, para que sirva como base para mães que estejam se preparando para o desmame.

Para crianças que não usam mamadeiras, o primeiro passo é introduzir uma, oferecendo o próprio leite materno na mamadeira. Alguns bebês têm preferência por formatos de bicos, e até mesmo pela resistência da borracha usada por diferente marcas. Se for preciso teste mais de uma mamadeira até encontrar uma que seja bem aceita pelo seu filho.

Uma vez que a criança já estiver familiarizada com a mamadeira, deve-se testar também o novo leite. Comece oferecendo apenas uma mamadeira por dia. Aguarde e observe a aceitação. Apesar de não ser comum, algumas crianças reagem a mudança do leite e podem apresentar episódios de vomito e/ou diarréia. Portanto é importante esperar pelo menos 24 horas antes de oferecer uma nova mamadeira.

Com o passar dos dias vá gradualmente aumentando o número de mamadeiras. Faça no seu ritmo, e no ritmo que você acredita ser melhor para o seu bebê. Algo que ajuda bastante é estipular uma data no calendário. Escolha um dia e marque aquele dia como sua meta. A partir daquele dia, todas as mamadas serão na mamadeira. Lembre-se de escolher uma meta real. Por exemplo, não diga que será amanhã se você sabe que é inviável.

No caso da Zara, quando iniciei o desmame a introdução alimentar já estava bem estabelecida, e ela já tinha naturalmente diminuído as mamadas para apenas 3 vezes por dia. Ela também já dormia a noite toda então todas as mamadas eram durante o dia.

Crianças mais velhas que estão acostumadas a acordar para mamar no peito de madrugada, geralmente o fazem em busca de conforto, ou por dificuldade na transição entre um ciclo do sono para o outro (assunto para um próximo texto). Como a criança já está habituada a acordar para mamar, e já que o peito não será mais opção, você pode a confortar oferecendo uma chupeta, cházinho natural de camomila (bem diluído e sem adição de açúcar), um cheirinho acompanhado de carinho em movimento circulares, ou até mesmo o novo leite na mamadeira. O novo leite na mamadeira deve ser a última alternativa.
Lembre-se que isto não é válido para bebês pequenos que precisam mamar com freqüência. De qualquer forma, acho difícil que uma mãe com bebê pequeno esteja optando pelo desmame.

Quando a criança pedir pelo peito verbalmente, responda dizendo que este não tem mais, e imediatamente tente desviar o foco, redirecionando a atenção. Levante-se, converse sobre outro assunto, mude de ambiente, ofereça água, ou qualquer outro tipo de bebida natural, como água de coco ou chá.

Uma vez que você parar de oferecer o peito por completo, você terá aquela sensação de desconforto devido ao peito cheio. A regra principal é não esvaziar o seio totalmente. Durante o banho, extraia somente o necessário para aliviar o incômodo. Com o passar dos dias o seu corpo irá entender que não precisa mais produzir leite. Isto pode levar de 2 a 3 semanas.

Dizem que é preciso pelo menos 21 dias para realmente quebrar um hábito. Respeite o tempo de vocês. As vezes é preciso dar um passo para trás para poder dar dois passos para frente. Seja paciente. Crianças são esponjinhas sensíveis, e aquilo que você passa para elas, é exatamente o que elas absorvem. Faça desta transição a mais natural possível. Seja gentil com seu bebê. Seja gentil com você.

Desmame – quando chega a hora

Há um tempo atrás saiu na capa da revista TIMES a foto de uma mãe amamentando o filho de 5 anos, com a manchete: “Are you mom enough”? (Você é mãe o suficiente?).
Entendo o ponto que a TIMES quis tocar. Diante de tantos pré-conceitos em relação a amamentação prolongada, é sempre válido estes “tratamentos de choque” para abrir a cabeça da sociedade.
Por outro lado, acho que esta questão de ser mãe o suficiente é bem relativa. É preciso ser mãe o suficiente para amamentar até os 5, mas também é preciso ser mãe o suficiente para desmamar quando chega a hora, principalmente quando esta hora é mais cedo do que você planejava.
Eu tive que ser mãe o suficiente para desmamar meus filhos na hora que precisei.
Na hora que precisamos.
Na nossa hora.
Tive que ser mãe o suficiente para brigar com minhas próprias expectativas e com esta mania boba que nós temos de criar na nossa cabeça uma imagem de como as coisas deveriam ser.
Tive que ser mãe o suficiente para ouvir o meu coração, e optar pelo desmame, mesmo conhecendo todos os benefícios da amamentação prolongada.

A recomendação da ONU é amamentar até os 2 anos, e da Academia Americana de Pediatria até um ano. Um, dois, ou 10, desde que esta decisão seja feita com coerência, com informação, levando em consideração as características e necessidades únicas da sua família, quem decide quanto tempo vai amamentar é você.

Amamentei meus três, e sou eternamente grata por isto. Com a Zara o plano era amamentar pelo menos até um ano. Amamentei exclusivamente por quase 9 meses, até que nossa jornada do peito teve que chegar ao fim. As vezes me pergunto se poderia ter feito melhor. Aquele habitual sentimento de dúvida que vem acompanhado da sensação de que poderia ter sido diferente. No fundo sei bem a resposta. O desmame, visando o bem estar da minha família como um todo, foi a minha melhor opção naquele momento.

Meu relacionamento com a minha filha não mudou. E por mais maravilhoso que seja o vínculo da amamentação, ele jamais determinará o vínculo mãe e filho.
Claro que senti saudades. Diversas foram as vezes que uma pontinha de tristeza chegou no meu coração. Momentos em que eu lembrava daquele aconchego que era todo nosso. Mas a maternidade é dinâmica, e juntas, eu e ela encontramos novos aconchegos. Inventamos e reinventamos nossa conexão diariamente, seja através de uma nova canção, de um cafuné perto da nuca, um carinho nas mãos, e até mesmo no encontro de olhares.

O empoderamento que a gente tanto fala, e tanto procura, é justamente isto. Falar abertamente das bifurcações que encontramos pelo caminho. E das diversas vezes que precisamos parar, pensar, e recalcular o trajeto.

Mas lembre-se: Eu sou mãe o suficiente, você é mãe o suficiente, nós somos mães o suficiente.

Baby led weaning (BLW)

Ainda tentando cumprir a promessa de responder as perguntas que chegam. Aos pouquinhos eu vou me redimindo. Me pediram para falar um pouco de introdução alimentar. Não sou muito fã de ficar postando dicas, porque não me considero nenhuma expert e acho que tem profissionais mais qualificados do que eu que fazem um ótimo trabalho ensinando. Mas, posso compartilhar minha experiência como mãe, e o que funcionou aqui em casa.

Com o Cae fiz introdução alimentar tradicional, seguindo a risca as recomendações do pediatra (há 13 anos atrás). Com o Dom, fiz uma combinação de BLW (baby led weaning) e papinhas. Com a Zara fomos com força total no BLW. Com ambos os meus mais novos, começamos com verduras e legumes e só depois introduzimos frutas. Ao contrário da recomendação dos pediatras no Brasil, aqui, a associação americana de pediatria, recomenda a introdução de verduras e legumes antes das frutas.

Para quem tem interesse no BLW, sugiro que leiam o livro original “Baby Led Weaning”. Tem muito post na internet distorcendo o método. Vou tentar fazer um resumo de como funciona:
No BLW não existe papinhas ou colheres. Você apresenta alimentos inteiros (sem bater) e deixa que o bebê, com as próprias mãos se alimente sozinho. O método gira em torno da frase: “Before one food is for fun” (Antes de 1 ano, comida é diversão). O que eles querem dizer é que o principal alimento para bebês antes de 1 ano ainda é o leite (seja materno ou fórmula). Portanto, a introdução de alimentos é apenas para que a criança comece a explorar novas texturas e sabores. Não há pressa e cada criança vai no seu próprio ritmo. Com o Dom, ele só foi levar o primeiro alimento para a boca depois de algumas semanas. Até então ele só brincava com a comida. Era um pouco frustrante e eu não conseguia lidar com aquilo. Por isto acabei fazendo uma combinação com os dois métodos (BLW e papinhas). Já com a Zara eu estava totalmente relaxada, e fomos com força total no BLW. Zara nunca comeu papinha de bebê. Demorou uns 10 dias para que ela realmente começasse a comer. Antes disso a comida ia para o chão, para os cabelos, ou ficava esmagada entre os dedos. Respeitei o tempo dela e deixei que ela ditasse as regras. O principio deste método é justamente este. Criar independência e ao mesmo tempo respeitar o tempo de cada criança. Estudos que foram divulgados recentemente mostram que bebês que iniciam a alimentação com BLW se tornam adultos com hábitos alimentares mais saudáveis, com menor tendência a problemas de peso, e mais propensos a experimentar novos alimentos. Para quem quiser dar uma olhada, vou colocar o link para alguns destes estudos nos comentários. Acho super interessante a parte que eles dizem que o BLW permite que a criança respeite e regule a sensação de saciedade. Parando de comer nos primeiros sinais de que esta satisfeita. Para mim isto faz total sentido, já que com papinhas a pessoa que esta coma colher na mão é quem dita as quantidades, a velocidade, e geralmente insiste por “mais uma colherada”.

Este método não é para todo mundo. Primeiro porque a mãe tem que estar muito, mas muito, relaxada mesmo. Sem aquela ansiedade para a introdução de alimentos (o que é mais comum em mães de primeira viagem). Segundo porque faz uma sujeira surreal. Mas por outro lado, eu acho o paraíso na terra não ter que fazer papinha de bebê. A mesma refeição que eu fazia para todos aqui em casa, era o que eu oferecia para a Zara (com algumas pequenas adaptações).

No final das contas não existe método certo ou errado. Existe aquilo que funciona para cada família. Eu gosto de ler estudos, e tentar fazer aquilo que eu acho que fará bem para os meus filhos. Mas, tento sempre ter em mente que o que funciona para mim, pode não funcionar pra você. E o que eu considero melhor, pode não ser igual o que você considera melhor.

Para as mães com recém nascidos.

Para as mães com recém nascidos:

As primeiras semanas com a Zara em casa foram as mais difíceis da minha vida. Uma  alegria misturada com cansaço e a sensação de que a minha vida nunca mais voltaria ao normal.

Foram noites e noites tentando acalmar uma bebê que gritava de cólica, de sono, de sabe-se lá Deus o quê. Minha bebê chorava todos os dias das 18 as 20 horas sem folga nem para pegar um arzinho.

E apesar de ter a certeza de que eu a amava com todo o meu coração, este amor todo ainda não tinha se encaixado dentro de mim. A vida naquelas primeiras semanas estava em piloto automático. Amamentar, trocar fraldas, dar atenção para os meus outros filhos, cozinhar, arrumar brinquedos, dar banho, repetir tudo outra vez, e sobreviver. Nas primeiras semanas com um bebê recém nascido a gente sobrevive.

Foi então que em um dia, que parecia como outro dia qualquer, aconteceu. Eu estava sentada no sofá da sala, com as minhas pernas dobradas, os pés apoiados no sofá, joelhos lado a lado, e com a minha bebê deitada de barriga para cima sob as minhas pernas. Eu a olhei nos olhos, e  os olhos dela quase se fecharam,  ficaram apertadinhos, e ela sorriu. Sentei-me um pouco mais reta e a olhei nos olhos  mais uma vez. E ela sorriu novamente. Um sorriso real. De propósito. Intencional. Só para mim. Ela sorriu para mim. Indescritivel sensação, como se eu estivesse testemunhando um milagre. Foi quando o amor, em forma de âncora, afundou dentro do meu corpo. E como um soro que é colocado na veia, foi se espalhando por todas as minhas células. E o meu peito parecia explodir de plenitude. E eu chorei.

Chorei por lembrar de todas as vezes que acordei de madrugada reclamando. Chorei por todos os momentos de choro incessante e que pensei e disse coisas tolas e até ruins. Chorei de alegria por acreditar que dias melhores estavam por vir. Chorei em agradecimento a Deus por ser mãe desta menina linda, e por Ele ter me ajudado chegar até aqui. Chorei porque uma sensação de felicidade se espalhava por todo o meu corpo.

A melhor parte é que estes momentos e sensações se repetem inúmeras vezes, e nos atingem quando a gente menos espera. Toda vez que um dos meus bebês sorri para mim, e pode ser o meu bebê mais velho que tem 13 anos, ou minha caçula com 10 meses, o meu coração salta de novo, exatamente da mesma maneira, e é sempre um milagre.

Criar um filho é amor.

Você com certeza já deve ter lido em algum lugar por ai que amamentar é amor. Quase todo website ou blogueira que trata sobre amamentação termina ou começa com a frase: Amamentação é amor.

Chega.

Amamentação é amor. Fórmula é amor. Fralda de pano é amor. Fralda descartável é amor. Cesariana é amor. Parto normal é amor. Sling é amor. Carrinho é amor. Ficar em casa com o bebê é amor. Deixar o bebê na creche para ir trabalhar é amor.

Faça o que for melhor para você e sua família, dentro dos recursos e das opções que você tem no momento da sua decisão. Você tentou amamentar mas não conseguiu? Ame seu filho dando fórmula. Você precisa voltar a trabalhar e seu filho tem só 2 meses? Ame seu filho trabalhando.

Ame seu filho. Simples. Amor vem do coração. Não vem da mamadeira e não vem do seios. Ame seu bebê da melhor forma que você conseguir. Tenho certeza que você, assim como eu, está fazendo de tudo que está ao seu alcance para conquistar um único objetivo. Um objetivo muito simples. Algo que todas as mães do mundo possuem em comum: O desejo absoluto de criar filhos felizes e saudáveis.

E toda vez que você ler a frase amamentação é amor, troque a palavra amamentação por “criar um filho”.

Criar um filho é amor.

Ps. Sei, e acredito que hoje em dia todo mundo sabe, que o leite materno é o melhor alimento para o bebê. Sou grata por ter conseguido amamentar os meuf filhos por muito mais tempo do que o recomendado pelos médicos. Mas não acho correto, e não acho justo com as mães que não puderam ou não conseguiram amamentar os seus filhos, que o amor materno seja vinculado a amamentação.

Este não é apenas mais texto sobre Amamentação. Parte 3.

Como aumentar a produção de leite

A produção de leite é regulada pela freqüência com  a qual o bebê suga e esvazia o peito. Aqui estão algumas dicas para aumentar a produção de leite:

  • A primeira e mais importante é: BEBA ÁGUA como se não houvesse amanhã. Imagine que você está na pior das ressacas da vida e beba água a todo momento. Nenhuma das dicas abaixo irá funcionar se você não beber muita água!
  • Esta dica vai vir em tom de bronca: Se alimente bem. Você tem a vida inteira para fazer dietas. Você tem o resto da sua existência para ter um corpo “sarado”. Já o primeiro ano de vida do seu bebê é uma vez só. Dieta de baixa caloria diminui a produção de leite, FATO!  O corpo gasta em média 800 calorias por dia na fabricação de leite. Se você não está ingerindo calorias o suficiente, qual vai ser a primeira coisa que o seu corpo vai cortar? Acho que nem preciso responder.
  • Bebê no peito, bebê no peito, bebê no peito, bebê no peito… Repita este mantra comigo!! Passe o maior tempo possível com o bebê mamando. Quanto mais o bebê mamar, mais leite você irá produzir.
  • Tire leite, usando a bombinha, 30 minutos depois de cada mamada.  A bombinha dupla é sempre a melhor, já que estimula os dois seios ao mesmo tempo.
  • Aumente o consumo de  galctagogues. Galactagogues são substâncias que estimulam a produção de leite.  Exemplos de galctagogues são: Aveia, levedo de cerveja e ervas como o feno grego (fenugreek). Aqui nos Estados Unidos e também no Canadá, os “lactation cookies” (“bolacha/biscoitos de amamentação”) são super famosos e são vendidos em vários lugares. São bolachas/biscoitos de aveia com levedo de cerveja e outros  ingredientes que estimulam a produção de leite. São deliciosos e funcionam de verdade, não é simpatia ou lenda urbana não. Os suplementos de feno grego também são comuns por aqui. Quando amamentava o Dom, sempre que eu sentia minha produção diminuir, eu tomava as cápsulas de fenugreek e  depois de 2 dias eu já notava uma diferença BEM significante. A recomendação geral é de 2 cápsulas (610mg cada uma) 3x por dia. Você vai perceber que sua pele vai ficar com um cheiro diferente, adocicado. Dizem os especialistas que quando você começar a sentir este cheiro adocicado na pele, é quando a produção de leite aumenta. Acreditem, isso é pura verdade. Só quem já tomou sabe do que estou falando! Para mim, o fenugreek é milagroso. Toda mãe que amamenta deveria conhecer esta erva!

Aqui está uma receita de “lactation cookies”:

1 1/2 xic. de farinha
1 3/4 xic. de aveia (aveia natural, nada de aveia pré preparada)
1 colher de sopa de bicabornato de sódio
1 colher de sopa de sal
3/4 xic. de manteiga de amendoim ou de amêndoa
1/2 xic. de manteiga já derretida
1 xic. de farinha de linhaça (se não achar pronta, triture as sementes de linhaça no processador)
3 colheres de sopa cheias de levedo de cerveja
1/3 xic. de água
1 colher de chá de canela em pó
1/2 xic. de açúcar comum
1/2 xic. de açúcar mascavo
2 colher de sopa de extrato de baunilha
2 ovos grandes
2 xic. cheia de gotas de chocolate
1 xic. de amêndoa ou macadâmia

Pré aqueça o forno em 180C
Misture a farinha, o bicarbonato, a canela em pó e o sal em uma vasilha.
Em outra vasilha bata a manteiga de amendoim/amêndoa, a manteiga derretida, o açúcar branco e o mascavo, o extrato de baunilha, o levedo de cerveja, a farinha de linhaça e a água, até obter uma consistência cremosa. Adicione os ovos e continue batendo. Vá adicionando a primeira mistura (da farinha) aos poucos. Adicione então as gotas de chocolate, as amêndoas/macadâmia, e a aveia. Com a ajuda de uma colher faça bolas com a massa e coloque em uma forma já untada. Com a ajuda de um garfo pressione gentilmente para achatar cada bolinha. Coloque para assar por 12 minutos.

O Excesso de leite e as Cólicas do bebê

Assim como a falta de leite é um problema, o excesso também é. Quando a mãe produz muito leite, o bebê acaba mamando muito do leite rico em açúcar (lactose), também conhecido como leite anterior, e pouco do leite rico em gordura, também conhecido como leite posterior. O leite posterior vem somente no fim de cada mamada e é por isto que é importante deixar o bebê mamar até o peito esvaziar bem. Mães que produzem muito mais leite do que o bebê mama, ficam com os seios muito cheios do leite anterior e o bebê não consegue chegar até o leite posterior pois já fica satisfeito no começo da mamada.  Este desequilíbrio na quantidade de leite anterior/posterior que o bebê recebe pode causar muita cólica no bebê, já que o ele acaba recebendo muito açúcar (lactose) e o corpinho do bebê tem dificuldade de digerir grandes quantidades de lactose de uma vez, causando a cólica. Este processo todo acaba desencadeando a seguinte bola de neve: O bebê mama, o bebê fica com cólica, o bebê chora. Porque o bebê chora a mãe acha que o bebê está com fome e coloca no peito novamente. O bebê no peito para de chorar pois o ato de sucção acalma o bebê. O bebê mama ainda mais do leite anterior rico em açúcar/lactose, causando ainda mais cólica.  O bebê chora por causa da cólica. A mãe volta com o bebê para o peito, o bebê recebe mais leite rico em açúcar. O bebe fica com ainda mais cólica etc… Sem contar que as frequentes mamadas fazem com que o corpo da mãe produza ainda mais leite, aumentando ainda mais o desequilíbrio leite anterior/posterior… E por aí vai.

Ps. Além das frequentes cólicas, outro indicador que o seu bebê está recebendo mais leite anterior que leite posterior é a cor do cocô, que muda do normal amarelo mostarda para verde. Sim, cocô verde! Cocó verde geralmente é sinal de desequilíbrio no leite anterior/posterior OU alergia alimentar.

Como diminuir a produção de leite

Estar sempre com os seios cheios de leite é bem desconfortável e pode levar a complicações como a mastite. Lembre-se sempre que quanto mais leite o seu bebê mama (ou você tira com a bombinha), mais leite você produz. Sendo assim, mães com excesso de leite devem fugir a tentação de ficar tirando leite com freqüência. Sei que é bem tentador, já que o alivio que a gente sente ao esvaziar o seio é grande. Acontece que este alivio, além de ser temporário, só vai piorar as coisas. Você vai precisar educar o seu corpo para que ele produza apenas o suficiente para o seu bebê. Isso não quer dizer que você precisa ficar sentindo dor, com o peito mais duro que pedra. Até porque isto pode causar mastite. Caso o seu peito fique muito cheio, e o seu bebê já tenha mamado o suficiente, use a bombinha para tirar APENAS o necessário para acabar com o desconforto. Não esvazie o seio completamente.  Cada vez que você esvazia o peito, o seu corpo percebe isso como um sinal para produzir mais e mais. Não tirando leite com freqüência, é só uma questão de tempo para que o seu corpo ajuste a produção. Tenha paciência que logo o seu corpo aprende a produzir só o que o seu bebê mama.

A “baixa” dos 3 meses

Você sabia que é extremamente comum que mães parem de amamentar no terceiro mês pós parto?  Mas o que existe de mágico na marca dos três meses que faz com que muitas mães desistam? Como já citado anteriormente, nas primeiras semanas/meses o seu corpo ainda está tentando regular a quantidade de leite que ele precisa produzir par alimentar o seu bebê. Portanto, no principio, é bem comum ter a sensação que os seios estão sempre cheios e pesados. Acontece, que é perto da marca dos 3 meses, que o corpo finalmente aprende e regula a produção de acordo com a quantidade de leite que o seu bebê mama. E com isso, a sensação de estar com o seio sempre cheio, finalmente vai embora. Infelizmente, muitas mães ao perceberem que não estão mais com os seios sempre pesados, acham que a produção de leite não é está sendo o suficiente e com isso, acabam introduzindo fórmula para “complementar”. O problema é que quando você introduz a fórmula, consequentemente o seu bebê passará menos tempo no seio e com o bebê mamando menos no peito, o que acontece? A produção de leite diminui. A bola de neve então está formada e em poucas semanas o bebê já está 100% na fórmula.

Resumindo: É totalmente normal, e esperado, que depois da marca dos 3 meses você não fique mais com os seios sempre cheios. Isto não é sinal de pouco leite! Caso você realmente tenha motivos para desconfiar que o seu leite diminuiu (bebê parou de ganhar peso, ou o número de fraldas molhadas/sujas diminuíram), estimule o seu corpo para aumentar a produção.

Sobre Fórmula

Gostaria de deixar registrado aqui, que não é mais mãe ou menos mãe quem amamenta no peito ou quem oferece fórmula. Assim como não é mais mãe ou menos mãe quem ganha bebê via cesárea ou parto normal. Não é mais mãe ou menos mãe quem engravida através de inseminação artificial ou quem engravida fazendo sexo.

A maternidade está longe de ser uma competição. A vida de mãe já é tão difícil que não precisamos complicar ainda mais. Chega de gente julgando e apontando o dedo sem ter a menor ideia da sua história e da sua vida. Cada mãe tenta sempre o melhor para o seu filho, dentro das suas possibilidades. Se para a sua família, o aleitamento materno não foi uma opção, dê fórmula, e dê com orgulho! No final das contas o que importa são barriguinhas cheias e bebês crescendo cheios de saúde!

Tatau (tchau tchau na versão Dom).

Você comeu o que? A Placenta?!

Sim, eu comi minha placenta! Calma, antes que você vomite aí mesmo, me dê a chance de explicar melhor. Não pense que eu pendurei um guardanapo no pescoço, adicionei sal, uma pimentinha, um azeitinho de oliva e mandei ver na minha placenta. Eu tomei placenta em cápsulas. Uau, falando assim soa ainda mais estranho: Placenta em cápsulas! Brincadeiras de lado, eu tomei sim cápsulas da minha placenta e  fiquei bem impressionada com o resultado. Aqui vai uma explicação mais detalhada:

A placenta é um órgão que se desenvolve na parede do útero durante a gravidez e tem como principal função fornecer oxigênio e nutrientes para o bebê. A placenta também produz e libera hormônios como a ocitocina e o hormônio CRH -que combate o estresse. No terceiro trimestre a secreção de CRH quase triplica – o que às vezes faz com que o hipotálamo entre em “greve” de CRH, uma das causas da depressão pós-parto e desequilíbrio hormonal. Uma vez que o bebê nasce e a placenta é expelida, os níveis destes hormónios cai drasticamente. Acontece que uma alta quantidade destes hormônios, assim como diversos nutrientes como o ferro e vitamina B6, continuam presentes em alta quantidades na placenta que foi expelida. 

Mas por que ralhos alguém comeria a própria placenta? Aqui está uma lista dos possíveis benefícios:

  • Aumento da liberação do hormônio ocitocina, que ajuda o útero a voltar ao tamanho normal e incentiva a união com o bebê
  • Aumento de CRH, hormônio que combate o stress
  • Diminuição nos níveis de depressão pós -parto
  • Restauração dos níveis de ferro no sangue 
  • Aumento da produção de leite

Encapsulamento da Placenta

Encapsulamento da Placenta não é um processo novo, pelo contrário. Esta prática vem sendo usada há muitos anos na Medicina Tradicional Chinesa. É um processo simples, em que após o parto, a placenta é cozida no vapor, desidratada e moída. O resultado final é um pó, que é então colocado em cápsulas, semelhante às cápsulas usadas em remédios e suplementos. 

A minha experiência

A primeira vez que ouvi falar sobre encapsulamento de placenta foi durante o curso de parto natural que fiz quando estava grávida do Dom. Apesar de me considerar uma pessoa um pouco cética para estas coisas, eu também tenho um lado metamorfose ambulante. Então, por mais que num primeiro momento eu não tenha acreditado muito, ainda assim resolvi pesquisar um pouco mais sobre o assunto. Conversei pessoalmente com algumas mães, li depoimentos e levantei o máximo de informação que eu conseguia respeito. A realidade é que não existem muitos dados, nem mesmo pesquisas cientificas que possam provar ou não os benefícios desta prática. Por outro lado, todas as mães que conversei foram unânimes em dizer que o pós parto delas foi tranquilo, que elas se sentiram ótimas e produziam bastante leite. O que me deixou mais intrigada foi que das mães que conversei, três já estavam no segundo ou terceiro filho, e todas disseram que o pós parto com as cápsulas de placenta foi muito mais fácil quando comparado com o pós parto da gravidez anterior. Levando tudo isso em consideração resolvi tentar. Minha experiência não poderia ter sido mais positiva. Meu pós parto foi tranqüilíssimo, me senti super bem disposta, cheia de energia, não tive nenhum sinal de depressão pós parto e produzi muito leite.

Quatro meses depois eu engravidei da Zara e não tive dúvidas que iria encapsular minha placenta novamente.  Eu recomendo para todas as minhas amigas e apesar de ter certeza que muitas pessoas ao lerem este post vão fazer cara de nojo, acho que só quem teve a experiência sabe do que estou falando. Acho bacana lembrar que existem várias coisas que fazemos para melhorar nossa saúde que não foram estudadas e provadas pela ciência, ainda assim sabemos que funcionam.

Ps. Antes de publicar este post fiz uma pesquisa rápida para tentar descobrir se existia alguém que trabalhe com encapsulamento de placenta no Brasil.  Pelo o que eu entendi, no Brasil, o hospital não deixa nem a mãe e nem ninguém retirar a placenta do hospital, ou seja, se o parto for hospitalar não tem como fazer o encapsulamento da placenta. Incrível como até isso no Brasil é complicado. MAS, parece que em Brasília já existe uma empresa de duas enfermeiras que fazem este tipo de serviço para mães que optam por parto domiciliar.