Maternidade Real

 

A internet está recheada de fotos de crianças felizes, educadinhas e contentes. Todas nós mães postamos fotos dos nossos filhos fazendo as coisas certas. Aquilo que queremos que eles façam. Fotos deles cozinhando, lendo, cooperando. É uma sensação maravilhosa quando nossos filhos fazem e agem da forma que esperamos. Trabalhamos duro, todos os dias do ano para isto. E quereremos mostrar para o mundo a inteligência, a fofura, a maravilha que são os nossos pequenos. 

Mas a grande verdade é que estes momentos refletem somente 20% da realidade. E talvez seja por isso que a gente se agarra tanto neles. Porque os outros 80%, aaaah os outros 80… Eles não são tão perfeitos. Aliás, os outros 80 são show de comédia misturado com sexta feira treze.

É choro, é grito para calçar o tênis, é luta de jiu-jitsu para trocar a fralda. É birra para colocar a fantasia de tigre-de-bengala feita com materiais recicláveis que a escola pediu para amanhã. É a terceira guerra mundial contra o sono, é confusão para guardar os brinquedos que se reproduzem na calada da noite. É comida que vai para o chão, são pequenos grandes acidentes da esfera gastrointestinal no momento de sair de casa. Em resumo, os outros 80% são filhos apertando o seu botão do limite da paciência pela 10ª vez na manhã.

É quando fica cansativo.

Nós sabemos que há uma lista de coisas que deveríamos estar fazendo. Que se deve escovar os dentes de cada uma das crianças 3x por dia. Que é importante separar 30 minutos para leitura. Que a refeição ideal possui um alimento de cada grupo. Sabemos de tudo isto é muito mais E mesmo assim, há noites em que colocamos as crianças na cama sem ter feito um terço da lista. Dias onde você procura aquela gotinha, aquele chorinho extra de energia, de paciência, de disposição. Mas ele não vem. Você não o encontra mais em você. E isto não fica registrado em foto, nem em vídeo. Não é publicado no Instagram nem no Facebook.

Mas eu te prometo, acontece com absolutamente todo mundo. Porque isto, isto minha amiga, tem nome, e se chama maternidade.

Ei, se cuida.


Me falaram sobre mamadeiras, chupetas, e carrinhos.
Me contaram sobre marcas de fraldas, pomadas, e lenços umedecidos.
Me pediram para dormir quando o bebê dorme, para começar a amamentação em livre demanda, e para não comer feijão ou chocolate.
Me avisaram que eu deveria usar cinta, beber muita água, e acostumar o bebê com barulho.
Foi discutido até mesmo sobre métodos anticoncepcionais e a importância de implantar uma rotina.

Porém, o conselho que eu desesperadamente precisava ouvir, demorou para chegar. Algo simples, e tão óbvio, que ficou no esquecimento:

“Se cuida”.

Cuide de você.
Tome banho, lave o cabelo, tire o pijama.
Se permita ouvir seus medos e esta mistura maluca de emoções que habita o corpo de quem acabou de parir um novo ser.
Fale de outros assuntos.
Fale sobre o tempo, sobre novela, sobre a greve dos bancários, sobre aquela receita deliciosa que alguém publicou no facebook.
Fale sobre qualquer coisa. Mas fale.
Fale sobre esta inquietude que toma conta do coração.
Entenda que é OK não se sentir OK.
Você é a melhor mãe que seu filho pode ter, e que isto já basta.
Respire.
Respire novamente.
Feche os olhos.
Escute seu coração.
Chore.
Chore um pouco mais.
É normal. Vai passar.
Saia de dentro de casa. Vá a padaria, ao parque, a casa da sua vó, da mãe Joana, vá para qualquer lugar, mas vá!
Estes dias longos, que se misturam com noites, e que se fazem dias novamente, eles ficarão para trás. E você já nem se quer irá se foi um sonho, se estava anestesiada, ou que ralhos foi este furacão que invadiu a sua vida.
E daqui alguns anos, numa quarta-feira qualquer, perto do natal, você encontra uma foto.
Lá estava você, cabelo sem lavar, olheiras aparentes, rosto cansado, carinha arredondada. Segurando aquela mini pessoa. Que saudade. Quanto amor!
Você então se olha novamente, e reconhece a fragilidade e o medo no olhar daquela menina mulher. Tão forte e tão indefesa. E se tivesse o poder de voltar por 5 segundos para aquele momento, você iria correndo. E a ajeitaria os cabelos, os colocando delicadamente atrás da orelha. Lavaria o rosto cansado, daria um abraço apertado, um beijo, e sopraria no seu ouvido:
“- Ei, se cuida”.

Desmame – um guia prático

Para quem não leu o texto sobre o desmame da Zara, por favor leia antes de começar esta nova leitura. A amamentação é sem dúvida a melhor nutrição para o bebê. Não há nada superior ao leite materno, ponto final. A possibilidade de amamentar é mais do que uma benção, é a prova viva da perfeição de Deus.
Mas como tudo na maternidade, nem sempre as coisas saem da forma que a gente gostaria, e há ocasiões em que o desmame passa ser a melhor (as vezes única) opção para uma família como um todo.

Não existe jeito certo ou errado de realizar o desmame. Cada caso é único, e o que funcionou muito bem com uma criança, pode falhar miseravelmente com outra. Fiz este guia, para que sirva como base para mães que estejam se preparando para o desmame.

Para crianças que não usam mamadeiras, o primeiro passo é introduzir uma, oferecendo o próprio leite materno na mamadeira. Alguns bebês têm preferência por formatos de bicos, e até mesmo pela resistência da borracha usada por diferente marcas. Se for preciso teste mais de uma mamadeira até encontrar uma que seja bem aceita pelo seu filho.

Uma vez que a criança já estiver familiarizada com a mamadeira, deve-se testar também o novo leite. Comece oferecendo apenas uma mamadeira por dia. Aguarde e observe a aceitação. Apesar de não ser comum, algumas crianças reagem a mudança do leite e podem apresentar episódios de vomito e/ou diarréia. Portanto é importante esperar pelo menos 24 horas antes de oferecer uma nova mamadeira.

Com o passar dos dias vá gradualmente aumentando o número de mamadeiras. Faça no seu ritmo, e no ritmo que você acredita ser melhor para o seu bebê. Algo que ajuda bastante é estipular uma data no calendário. Escolha um dia e marque aquele dia como sua meta. A partir daquele dia, todas as mamadas serão na mamadeira. Lembre-se de escolher uma meta real. Por exemplo, não diga que será amanhã se você sabe que é inviável.

No caso da Zara, quando iniciei o desmame a introdução alimentar já estava bem estabelecida, e ela já tinha naturalmente diminuído as mamadas para apenas 3 vezes por dia. Ela também já dormia a noite toda então todas as mamadas eram durante o dia.

Crianças mais velhas que estão acostumadas a acordar para mamar no peito de madrugada, geralmente o fazem em busca de conforto, ou por dificuldade na transição entre um ciclo do sono para o outro (assunto para um próximo texto). Como a criança já está habituada a acordar para mamar, e já que o peito não será mais opção, você pode a confortar oferecendo uma chupeta, cházinho natural de camomila (bem diluído e sem adição de açúcar), um cheirinho acompanhado de carinho em movimento circulares, ou até mesmo o novo leite na mamadeira. O novo leite na mamadeira deve ser a última alternativa.
Lembre-se que isto não é válido para bebês pequenos que precisam mamar com freqüência. De qualquer forma, acho difícil que uma mãe com bebê pequeno esteja optando pelo desmame.

Quando a criança pedir pelo peito verbalmente, responda dizendo que este não tem mais, e imediatamente tente desviar o foco, redirecionando a atenção. Levante-se, converse sobre outro assunto, mude de ambiente, ofereça água, ou qualquer outro tipo de bebida natural, como água de coco ou chá.

Uma vez que você parar de oferecer o peito por completo, você terá aquela sensação de desconforto devido ao peito cheio. A regra principal é não esvaziar o seio totalmente. Durante o banho, extraia somente o necessário para aliviar o incômodo. Com o passar dos dias o seu corpo irá entender que não precisa mais produzir leite. Isto pode levar de 2 a 3 semanas.

Dizem que é preciso pelo menos 21 dias para realmente quebrar um hábito. Respeite o tempo de vocês. As vezes é preciso dar um passo para trás para poder dar dois passos para frente. Seja paciente. Crianças são esponjinhas sensíveis, e aquilo que você passa para elas, é exatamente o que elas absorvem. Faça desta transição a mais natural possível. Seja gentil com seu bebê. Seja gentil com você.

O falso malcriado

Sabe aquela cena de uma criança de dois anos chorando no chão em público? Enquanto as pessoas (e eu já fui uma destas pessoas) passam olhando e pensando:

“- Afe que criança malcriada. Cade a mãe que não faz nada?”

Pois bem, muitas vezes não é a criança que é malcriada, somos nós adultos que precisamos de uma aulinha sobre o cérebro infantil. Não sou nenhuma especialista no assunto mas já li bastante a respeito, e aqui está um pouco do que aprendi:

Existem motivos fisiológicos que levam crianças de 1 a 3 anos a chorarem compulsivamente quando algo não sai da forma como elas imaginavam. Dentre estes motivos estão:

1. Imagine que você está na festa de despedida de uma amiga que está indo morar fora. Você está feliz pois sabe que ela está realizando um sonho, mas ao mesmo tempo está triste porque sabe que sentirá saudades.
Com crianças pequenas esta divisão de emoções não existe. Você ou está feliz ou está triste. O cérebro nesta idade ainda não sabe balancear os dois. Pelo contrário, em situações onde dois sentimentos opostos estão presentes, o cérebro se sente “sobrecarregado”. Isto causa stress, que causa choro.

2. O córtex pré-frontal, parte do cérebro responsável pelo controle das emoções, começa a amadurecer mais aos 4 anos de idade. Ou seja, como esperar que uma criança de 2 anos controle suas emoções? É fisiologicamente desafiador. É como brigar com um peixe por ele não saber andar.

3. Nós adultos temos a incrível habilidade de nos expressar com palavras. Sabemos explicar o que sentimos. Das mais complexas sensações como ansiedade e insegurança, até as coisas do cotidiano como cansaço e indisposição. Crianças pequenas não sabem classificar aquilo que sentem. Imagine o quanto frustrante deve ser não conseguir dizer aos responsáveis pelo seu bem estar que você está sentindo medo. Não saber nomear o que sente causa stress, que mais uma vez, causa choro.

4. Para que o cérebro possa decidir como agir diante determinadas situações, ele se baseia em experiências anteriores. Crianças pequenas não possuem muitas experiências, portanto várias das situações em que elas se encontram são novas. Tudo que é novo é visto como um desafio. Desafio gera stress. E em crianças, stress gera choro.

E por que stress causa choro? Em todas estas situações, o excesso de informação faz com que o cérebro da criança coordene o aumento de cortisol no corpo. Cortisol também é conhecido como hormônio do stress. Ele causa o aumento dos batimentos cardíaco, da pressão sangüínea, e traz aquela sensação de ansiedade e inquietude. Crianças pequenas não sabem lidar com estes estímulos, e portanto respondem chorando.

Claro que cabe a nós, mães e pais, guiarmos e facilitarmos o aprendizado dos nossos filhos. Ensinar o que consideramos certo e errado, desde pequeno. Repreender quando for necessário, explicar sobre conseqüências, ensinar, dar exemplo, estimular para que a criança reflita. Mas infelizmente (ou felizmente) gritar, mandar “engolir o choro”, “pegar na marra”, com crianças muito pequenas, não resolve. Então a próxima vez que seu filho de 2 chorar compulsivamente por algo que você considera “besteira”. Lembre-se que ele não está sendo mal. Ele está apenas sendo “dois”.

Da série dicas (realmente) úteis:

Todas as mães e grávidas que viajam pra cá, vão direto na Carters. A Carters propositadamente divide sua numeração em RN, 3, 6, 9, 12, 18 e 24 meses. Ou seja, 7 tamanhos diferentes nos primeiros 2 anos de vida. A cada 3 meses você precisa mudar de numeração, e a criança perde aquele monte de roupas de uma vez só.

Já outras marcas, como a Old Navy, que na minha opinião tem peças super fofas, dividem a numeração em: 0-3, 3-6, 6-12, 12-18, 18-24. Cinco tamanhos em 2 anos. Você paga pouca coisa a mais, só que a criança acaba usando por mais tempo. A Zara, que é considerada grande para a idade, com 13 meses ainda consegue usar algumas das suas blusas 6-12 da Old Navy.

Existem vários outros lugares onde você encontra roupas fofas, com preço acessível: Target, H&M, Cotton on kids, T.J.Maxx, Kohl’s, The Children’s Place, Ross, Marshals, Costco (este último precisa ser membro. Se você conhece alguém que mora aqui, peça o cartão emprestado).

Quase todas as lojas (e até mesmo vários restaurantes), sempre têm cupons de desconto válidos. Para achar um cupom para determinada loja, vá no google e digite:

O nome da loja, ou marca, ou restaurante + retailmenot

Por exemplo, para achar um cupom de desconto da Toys R Us, vá no google e digite:

Toys R Us RetailMeNot

Clique no primeiro link que aparecer.
OS CUPONS EM VERDE SÃO SEMPRE OS MELHORES! Vá descendo a página para procurar os que estão marcados em verde. Hoje o verdinho é o primeiro que está aparecendo. Clique em “show cupom”.
Ta aí, um cupom onde você ganha um vale presente de $10 em todas as compras acima de $75.

Outro exemplo:
No google digite: Fisher Price RetailMeNot
Clique no primeiro link que aparecer. Procure o primeiro cupom verdinho. Clique em “show cupom”. Hoje por exemplo, há 2 cupons verdinhos para serem usados no site da Fisher Price. O primeiro é o de compre um e leve o segundo item com 30% de desconto + frete grátis. E o segundo é de $10 de desconto nas compras acima de $75. Clique em “show cupom”, copie o código, e cole no campo de desconto durante o checkout.

O jeito certo de parir

A primeira cicatriz de uma cesariana marcada por opção. Em cima mais uma cicatriz, cesárea de emergência. E acima, o cordão umbilical ainda pulsando, com direito a nó completo, minha VBA2C (parto vaginal depois de 2 cesáreas).

Três histórias, três crianças, uma mãe.

Sobre o jeito certo de parir…

Você está autorizada a ter um plano de parto, a não ter um plano de parto, a mudar de idéia, a se sentir frustrada, realizada, ou os dois.

Você está autorizada a parir em casa, no hospital, no quintal, no triângulo das Bermudas, ou em qualquer lugar que você e seu bebê estejam seguros.

Você está autorizada a passar das 40 semanas, a não passar das 40 semanas, a ficar ansiosa, tranquila, a respirar, a chorar, e a rir.

Você está autorizada a fazer perguntas, a não entender, a questionar, a discordar, a concordar, e a perguntar mais uma vez.

Você está autorizada a tirar ou não tirar fotos, a usar ou não usar cinta pós-parto, a pedir ou não pedir anestesia, a parir deitada, de pé, de cócoras, ou de ponta cabeça (este último eu duvido que você queira mas tudo bem).

Você está autorizada a ter parto vaginal ou cesárea, de manhã, de tarde, ou de noite, em dia útil, ou dia santo.

Você está autorizada a ter um acompanhante, a estar sozinha, a meditar durante as contrações ou a dar graças a Deus que morfina existe.

Você está autorizada a ter uma obstetra, uma parteira, doula, benzedeira, pastora, extraterrestre, ou qualquer pessoa que traga seu bebê ao mundo com segurança, saúde, e amor.

Você só não está autorizada a ser pressionada, a aceitar desinformação, pouco caso, pressa, e má vontade.

Todo ser humano quando nasce, entra neste mundo com o coração limpo, em um estado de pureza. Algo que deve ser não somente respeitado mas também celebrado. E talvez seja por isso que chamamos parir de “dar a luz”. Porque luz é a palavra mais próxima para definir a chegada de um novo ser ao nosso mundo.

A paz e o amor que o mundo procura também começa no parto. Pois só existe um jeito errado de parir, e é parir com desrespeito.

#birthwithoutfear
Birth Without Fear

Uma dica que vale a pena

Dificilmente escrevo sobre dicas, mas esta é tão boa que merece um texto.

Você já deve ter escutado falar sobre “redirecionamento de atenção”. É um método de disciplina, onde toda vez que a criança fica chateada porque quer fazer algo que não pode, a mãe redireciona a atenção para outra coisa.
Exemplo: A criança pega uma faca, a mãe então diz:

“Faca não-não porque pode machucar, que tal se a gente brincar com esta girafa aqui?”

Na teoria é lindo, mas pouquíssimas vezes funcionou com meu filho de 2 anos. Dá certo com bebês menores, mas distrair uma criança de 2-4 anos quando ela insiste em querer algo que não pode, não é tão simples assim.
Até que me ensinaram um método que mudou a forma como eu lido com os meus filhos.

O método se baseia no fato de que crianças, quando cismam com uma atividade, entram em um mini estado de obsessão que é difícil de quebrar. Por isso, precisamos abordar a criança com uma pergunta, algo que a force a pensar para responder, induzindo o cérebro a mudar de foco.

Exemplo: O Dom não queria parar de brincar para tomar banho:
“Vamos tomar banho?”
“Não.”
Eu poderia insistir, a resposta seria a mesma. Ou, poderia levá-lo na marra, o que estressaria ambos.

Seguindo o método que aprendi:

“Dom, qual destes brinquedos aqui você vai querer levar para o banho? Este carrinho azul, ou o carrinho vermelho?
Ele me olha. Antes que ele se distraia, repito a pergunta.
Ele sorri e aponta para o carrinho azul:
“Este”.
Pega o carrinho da minha mão e vai para o banho.

Esta técnica pode ser usada para tudo. Basta formular uma pergunta sobre algo que você sabe que vai interessar seu filho, você o conhece como ninguém. Seja criativa. Use um tom de voz convidativo. Só não esqueça que a pergunta precisa dar no mínimo 2 opções de escolha.

Outro exemplo:
Dom está lá fora, é tarde e ele não quer entrar:
“Dom, vamos ver no livro dos animais quem corre mais rápido? Você acha que é o urso ou o leão?”
Enquanto falo, mostro o livro, repito a pergunta, e disfarçadamente vamos entrando. 

É super simples e aqui em casa funciona 90% das vezes! Só não dá certo quando há outros agravantes como sono e fome.

Tentem e depois me contem! Muda a vida!