Simplicidade é a chave 

Maria Montessori acreditava, e a maioria dos educadores ainda acredita, na simplicidade como estrutura para criar crianças saudáveis e felizes. 
Crianças florescem quando têm tempo e espaço para explorar o mundo sem as complicações do “muito”.

“Muito” é estressante. Seja muita informação, muitas atividades, muitas escolhas, muita pressa, ou muito brinquedo.

Especialistas acreditam que as crianças de hoje em dia estão sofrendo de uma espécie de sobrecarga sensorial. Elas têm excesso de quase tudo: De coisas, de opções, e de estímulos.

Nos preocupamos tanto em estimular nossos filhos que acabamos forçando um desenvolvimento que deveria acontecer naturalmente e no tempo próprio. E por querer ajudar, acabamos atrapalhando.

A solução é simples: Menos, quase sempre, é mais! ❤️

O falso malcriado

Sabe aquela cena de uma criança de dois anos chorando no chão em público? Enquanto as pessoas (e eu já fui uma destas pessoas) passam olhando e pensando:

“- Afe que criança malcriada. Cade a mãe que não faz nada?”

Pois bem, muitas vezes não é a criança que é malcriada, somos nós adultos que precisamos de uma aulinha sobre o cérebro infantil. Não sou nenhuma especialista no assunto mas já li bastante a respeito, e aqui está um pouco do que aprendi:

Existem motivos fisiológicos que levam crianças de 1 a 3 anos a chorarem compulsivamente quando algo não sai da forma como elas imaginavam. Dentre estes motivos estão:

1. Imagine que você está na festa de despedida de uma amiga que está indo morar fora. Você está feliz pois sabe que ela está realizando um sonho, mas ao mesmo tempo está triste porque sabe que sentirá saudades.
Com crianças pequenas esta divisão de emoções não existe. Você ou está feliz ou está triste. O cérebro nesta idade ainda não sabe balancear os dois. Pelo contrário, em situações onde dois sentimentos opostos estão presentes, o cérebro se sente “sobrecarregado”. Isto causa stress, que causa choro.

2. O córtex pré-frontal, parte do cérebro responsável pelo controle das emoções, começa a amadurecer mais aos 4 anos de idade. Ou seja, como esperar que uma criança de 2 anos controle suas emoções? É fisiologicamente desafiador. É como brigar com um peixe por ele não saber andar.

3. Nós adultos temos a incrível habilidade de nos expressar com palavras. Sabemos explicar o que sentimos. Das mais complexas sensações como ansiedade e insegurança, até as coisas do cotidiano como cansaço e indisposição. Crianças pequenas não sabem classificar aquilo que sentem. Imagine o quanto frustrante deve ser não conseguir dizer aos responsáveis pelo seu bem estar que você está sentindo medo. Não saber nomear o que sente causa stress, que mais uma vez, causa choro.

4. Para que o cérebro possa decidir como agir diante determinadas situações, ele se baseia em experiências anteriores. Crianças pequenas não possuem muitas experiências, portanto várias das situações em que elas se encontram são novas. Tudo que é novo é visto como um desafio. Desafio gera stress. E em crianças, stress gera choro.

E por que stress causa choro? Em todas estas situações, o excesso de informação faz com que o cérebro da criança coordene o aumento de cortisol no corpo. Cortisol também é conhecido como hormônio do stress. Ele causa o aumento dos batimentos cardíaco, da pressão sangüínea, e traz aquela sensação de ansiedade e inquietude. Crianças pequenas não sabem lidar com estes estímulos, e portanto respondem chorando.

Claro que cabe a nós, mães e pais, guiarmos e facilitarmos o aprendizado dos nossos filhos. Ensinar o que consideramos certo e errado, desde pequeno. Repreender quando for necessário, explicar sobre conseqüências, ensinar, dar exemplo, estimular para que a criança reflita. Mas infelizmente (ou felizmente) gritar, mandar “engolir o choro”, “pegar na marra”, com crianças muito pequenas, não resolve. Então a próxima vez que seu filho de 2 chorar compulsivamente por algo que você considera “besteira”. Lembre-se que ele não está sendo mal. Ele está apenas sendo “dois”.

Terrorismo musical

Dom ganhou um CD com cantigas antigas para crianças. No começo fiquei até emocionada por lembrar da minha infância. Depois de 5 minutos já estava me perguntando que ME*@# é esta?
O amor que tu me tinhas era pouco e se acabou.

Atirei o pau no gato mas o gato não morreu.
Boi da cara preta pega está menina que tem medo de careta.
O cravo teve um desmaio e a rosa pôs-se a chorar.
Pai Francisco foi pra prisão.
Sambalelê precisava era de umas boas palmadas.
Quem não marchar direito vai preso.
O quartel pegou fogo.
É mentira da barata.
Puxa o rabo do tatu.
Cai balão bem aqui na minha mão, não vou lá, tenho medo de apanhar.
Deita aqui no colo meu e depois não vá dizer que você se arrependeu.
A canoa virou por causa da Maria que não soube remar.
Se eu fosse um peixinho e soubesse nadar eu tirava a Maria do fundo do mar.
A gente é fraco cai no buraco. Buraco é fundo, acabou-se o mundo.
Pirulito que já bateu, a menina que eu gostava não gostava como eu.
Namorei um garotinho do colégio militar, o diabo do garoto só queria me beijar.

E pra fechar com chave de ouro:
Nana nene que a cuca vem pegar.

Sério mesmo?
A Cuca?
A Cuca era uma jacaré cabeluda maldita! A Cuca, juntamente com o “homem do saco”, eram o terror da minha vida. De verdade, o “ultimate nightmare” seria a Cuca e Homem do saco juntos no mesmo sonho.
Como nossas mães em pleno controle das suas habilidades mentais conseguiam cantar uma música dessa?
Por isso que chamam de canção de ninar. Óbvio que eu iria dormir se me dissessem que caso contrário a Cuca viria me buscar.
Seeeeeeenhor! Alguém pode me dizer como saímos psicologicamente ilesas da nossa infância?

Uma dica que vale a pena

Dificilmente escrevo sobre dicas, mas esta é tão boa que merece um texto.

Você já deve ter escutado falar sobre “redirecionamento de atenção”. É um método de disciplina, onde toda vez que a criança fica chateada porque quer fazer algo que não pode, a mãe redireciona a atenção para outra coisa.
Exemplo: A criança pega uma faca, a mãe então diz:

“Faca não-não porque pode machucar, que tal se a gente brincar com esta girafa aqui?”

Na teoria é lindo, mas pouquíssimas vezes funcionou com meu filho de 2 anos. Dá certo com bebês menores, mas distrair uma criança de 2-4 anos quando ela insiste em querer algo que não pode, não é tão simples assim.
Até que me ensinaram um método que mudou a forma como eu lido com os meus filhos.

O método se baseia no fato de que crianças, quando cismam com uma atividade, entram em um mini estado de obsessão que é difícil de quebrar. Por isso, precisamos abordar a criança com uma pergunta, algo que a force a pensar para responder, induzindo o cérebro a mudar de foco.

Exemplo: O Dom não queria parar de brincar para tomar banho:
“Vamos tomar banho?”
“Não.”
Eu poderia insistir, a resposta seria a mesma. Ou, poderia levá-lo na marra, o que estressaria ambos.

Seguindo o método que aprendi:

“Dom, qual destes brinquedos aqui você vai querer levar para o banho? Este carrinho azul, ou o carrinho vermelho?
Ele me olha. Antes que ele se distraia, repito a pergunta.
Ele sorri e aponta para o carrinho azul:
“Este”.
Pega o carrinho da minha mão e vai para o banho.

Esta técnica pode ser usada para tudo. Basta formular uma pergunta sobre algo que você sabe que vai interessar seu filho, você o conhece como ninguém. Seja criativa. Use um tom de voz convidativo. Só não esqueça que a pergunta precisa dar no mínimo 2 opções de escolha.

Outro exemplo:
Dom está lá fora, é tarde e ele não quer entrar:
“Dom, vamos ver no livro dos animais quem corre mais rápido? Você acha que é o urso ou o leão?”
Enquanto falo, mostro o livro, repito a pergunta, e disfarçadamente vamos entrando. 

É super simples e aqui em casa funciona 90% das vezes! Só não dá certo quando há outros agravantes como sono e fome.

Tentem e depois me contem! Muda a vida!